Educação e Memória Afro-Brasileira em Salvador
O “Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da cultura afro-brasileira” é uma iniciativa que propõe fortalecer o ensino da história e da cultura afro-brasileira por meio da memória, da fotografia e de narrativas construídas pela própria população negra. A ação acontecerá em Salvador entre 22 de setembro e 22 de outubro de 2026, com o objetivo de apoiar a aplicação da Lei 11.645 por meio de visitas mediadas, materiais pedagógicos e um Curso de mediação cultural focado na formação de 30 jovens negros para atuação em museus e espaços culturais. Além disso, o projeto inclui visitas guiadas para estudantes de escolas e universidades ainda em outubro.
Metodologias e Ferramentas para a Educação
O projeto está estruturado em três frentes principais. A primeira delas é a criação de uma metodologia de visitação mediada nas galerias do Zumví, que incentiva formas inovadoras de contato com as fotografias e histórias do acervo, transformando a visita em uma experiência educativa que valoriza a cultura afro-brasileira.
A segunda frente envolve a produção e distribuição de kits pedagógicos com imagens do acervo, destinados a educadores para uso em sala de aula. Esses materiais ampliam as possibilidades de abordar a história e a cultura afro-brasileira, trazendo registros visuais que exploram diferentes dimensões da vida, identidade, manifestações culturais e lutas da população negra.
Formação de Jovens para o Mercado Cultural
A terceira vertente é o Curso de Mediação Cultural, que visa capacitar 30 jovens negros de Salvador para o mercado de museus e espaços culturais. O curso aborda práticas de mediação, memória, patrimônio e cultura, incluindo temas relacionados à acessibilidade cultural, para construir espaços mais inclusivos e acessíveis.
Este curso ultrapassa a formação técnica ao partir da experiência do Zumví para mostrar outras possibilidades profissionais no campo da cultura. O arquivo reúne décadas de atuação na preservação e ativação de um acervo produzido por fotógrafos negros, voltado à educação, memória e construção de narrativas próprias sobre a população negra.
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Compromisso com a Preservação e Circulação de Memórias
Segundo Lázaro Roberto, fotógrafo e arte-educador cofundador do Zumví Arquivo Fotográfico em 1990, o projeto representa a continuidade do compromisso com a preservação e circulação dessas memórias. Para ele, trabalhar com educação é também preservar histórias que ficaram fora dos registros oficiais, fortalecendo a importância da cultura afro-brasileira e o papel da memória como ferramenta de transformação social.
O Educativo Zumví aproxima estudantes, educadores e jovens de um acervo construído a partir das vivências da população negra, criando oportunidades de aprendizado, formação e atuação nos espaços de cultura e memória.
Zumví Arquivo Afro Fotográfico: Um Patrimônio Visual da Bahia
Fundado em Salvador em 1990 por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o Zumví nasceu com o compromisso de registrar a vida da população negra sob o olhar de fotógrafos negros. Seu acervo é um repertório visual importante sobre Salvador e a Bahia, reunindo registros de festas populares, manifestações de matriz africana, blocos afro, afoxés, movimentos sociais, territórios quilombolas, feiras, cenas cotidianas, política, afetos e estética.
Essa trajetória torna o Zumví um espaço estratégico para iniciativas educativas que usam a memória e a fotografia como instrumentos de ensino. Ao trabalhar com um acervo moldado pelas próprias experiências da população negra, o projeto contribui para ampliar as referências apresentadas aos estudantes e fortalecer processos educativos comprometidos com a diversidade cultural.
Arquivo Comunitário e Ampliação do Espaço Cultural
O Zumví também participa do debate sobre arquivos comunitários, integrando o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) e fortalecendo sua atuação em discussões sobre preservação da memória, protagonismo comunitário e reconhecimento de acervos que revelam histórias muitas vezes ausentes dos registros oficiais.
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A nova sede no Rio Vermelho amplia essa atuação, reunindo galeria de exposições temporárias, laboratório, estúdio, ações de mediação e atividades educativas. Esse espaço consolida a proposta institucional voltada à formação de público, preservação e ativação do acervo, além do diálogo com parceiros locais, nacionais e internacionais.
Curso de Mediação Cultural: Inscrições e Cronograma
O Curso de Mediação Cultural será dividido em duas turmas. As inscrições para a primeira etapa acontecem entre 10 e 15 de setembro, com divulgação dos selecionados no dia 18. As matrículas ocorrerão entre 18 e 21 de setembro. As aulas da primeira turma ocorrerão de 22 de setembro a 22 de outubro, com evento de certificação marcado para 24 de outubro.
Detalhes para Participação
O curso é destinado a jovens, preferencialmente negros, de escolas públicas das regiões do subúrbio, calçada, centro e comércio de Salvador, ou que tenham ingressado no ensino superior por sistema de cotas. As aulas acontecerão na Galeria do Zumví, no Pelourinho, Rua Gregório de Matos, 29.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas por meio do formulário online disponível no site oficial do projeto.
Entre Memória e Cultura: Ampliação do Acesso e Formação
O Educativo Zumví é mais do que uma ação educativa. É uma proposta que conecta memória, educação e cultura afro-brasileira, buscando não apenas ampliar o acesso ao patrimônio histórico da população negra, mas também formar agentes culturais comprometidos com a preservação, mediação e construção de narrativas dentro dos espaços culturais de Salvador.
