Exposição Virtual Destaca Manifestações Afro-Culturais na Bahia
No mês de maio, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico traz à tona duas iniciativas focadas na preservação e na difusão digital da memória afro-brasileira. A primeira ação, marcada para a quarta-feira, 13 de maio de 2026, consiste no lançamento da exposição virtual “Zumví: Na rota das Manifestações Afro Culturais de Itaparica ao Recôncavo Baiano”, que poderá ser acessada através do site da instituição. Em seguida, no dia 29 de maio, às 17h30, a Casa Zumví, localizada no bairro do Rio Vermelho em Salvador, será o palco para o encontro “Acervos: da Produção à Difusão Digital”, com foco na discussão sobre a preservação e o acesso digital a arquivos culturais.
A nova exposição online é um convite para conhecer as imagens produzidas pelo fotógrafo baiano Lázaro Roberto, fundador e diretor do Zumví. Os registros capturados refletem as ricas manifestações afro-culturais de Salvador, do Recôncavo Baiano e da Ilha de Itaparica. Este projeto se insere em uma estratégia mais ampla de ampliação da presença digital do acervo fotográfico, visando aumentar o acesso público a essas importantes memórias.
O texto curatorial que acompanha a exposição é de responsabilidade do historiador José Carlos Ferreira, conhecido como Zezão, que tem colaborado com o Zumví nas iniciativas de preservação, organização e disseminação do acervo fotográfico.
Registro de Tradições Afro-Brasileiras em Diversas Cidades da Bahia
A mostra virtual propõe uma viagem visual por diferentes manifestações populares e religiosas que fazem parte da cultura afro-brasileira em diversas localidades baianas. Entre os eventos registrados estão a Festa de Caboclo de Itaparica, a Festa de Iemanjá de Cachoeira, o Bembé do Mercado em Santo Amaro, além do Nego Fugido, a Chegança da Fragata Brasileira em Saubara, a Zambiapunga e a Festa de São Bartolomeu em Maragogipe.
Segundo informações do Zumví, as fotografias selecionadas para a exposição passaram por um rigoroso processo de curadoria. A proposta é documentar manifestações culturais afrodescendentes que têm raízes na ancestralidade, religiosidade e tradições populares que ainda são vivenciadas em diferentes territórios da Bahia.
Para Lázaro Roberto, a iniciativa representa um avanço significativo na documentação dessas manifestações ao longo de mais de três décadas de atuação. “Estar em contato com as comunidades, registrando essas expressões de resistência que permanecem vivas há séculos, é fundamental para alimentar a cultura negra de Salvador”, afirmou o fotógrafo.
Um Acervo Riquíssimo com Mais de 30 Mil Registros
Com uma trajetória de mais de 30 anos, o Zumví Arquivo Afro Fotográfico abriga um acervo que supera 30 mil fotogramas, provenientes do trabalho de sete fotógrafos negros. As imagens documentam ações ligadas a movimentos sociais, religiosidade, manifestações culturais e o cotidiano da população afrodescendente na Bahia.
De acordo com a instituição, a ampliação das ações digitais é parte de uma estratégia de democratização do acesso ao acervo e de fortalecimento das ações educativas que promovem a memória afro-brasileira. O arquivo tem se engajado em projetos voltados à preservação, formação e circulação de produções visuais relacionadas à população negra.
A exposição virtual também destaca a utilização do ambiente digital como um recurso essencial para o acesso público, pesquisa e disseminação de conteúdos históricos e culturais que emergem a partir de perspectivas negras.
Discussões Cruciais sobre Preservação Digital
Seguindo com as atividades programadas para maio, o Zumví realizará no dia 29 o encontro “Acervos: da Produção à Difusão Digital”, que acontecerá na Casa Zumví, situada no Rio Vermelho. Este evento contará com duas mesas temáticas que abordarão a criação artística, curadoria e preservação de arquivos digitais.
A primeira mesa, intitulada “Os desafios da criação artística para uma exposição em ambiente virtual”, contará com a participação de Lázaro Roberto e mediação de Cíntia Guedes. O debate buscará explorar questões ligadas à criação, linguagem visual, curadoria e as experiências estéticas em exposições digitais.
A segunda mesa, “Difusão de Acervos no ambiente digital”, reunirá José Carlos Ferreira, representando o Zumví, e outros especialistas, como Ricardo Sodré e Millard Schisler. O foco da discussão será sobre estratégias de circulação, plataformas digitais, preservação de arquivos e a democratização do acesso a acervos culturais.
Fortalecimento da Presença Nacional do Zumví
José Carlos Ferreira ressalta que o encontro é uma oportunidade para discutir a preservação de arquivos digitais, que, assim como os analógicos, demandam atenção especial. “Nosso objetivo é trazer à tona a importância da preservação de acervos digitais”, destacou.
Além das ações em Salvador, o Zumví também mantém a exposição “Zumví Arquivo Afro Fotográfico” em cartaz no IMS Paulista, em São Paulo. Esta mostra exibe cerca de 400 fotografias e documentos que abordam movimentos sociais, blocos afro, afoxés e a vida cotidiana da população negra baiana. Essa iniciativa não apenas reforça a relevância nacional do arquivo, mas também amplia a circulação pública da memória visual afro-brasileira documentada a partir de perspectivas negras.
