Investimento e Cultura no Centro Histórico
A Prefeitura de Salvador tem impulsionado o Centro Histórico não apenas com melhorias urbanas, mas também por meio do fortalecimento da produção artística e cultural local. Essa estratégia busca dinamizar a região, reconhecendo e valorizando o trabalho dos produtores culturais que mantêm viva a história e as tradições da cidade.
Expressão Afro-brasileira e Presença Feminina
Negra Jhô, ativista da cultura afro-brasileira, se destaca nos cortejos natalinos organizados pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult). Desde a primeira edição em 2023, ela desfila com um saião de 400 metros, turbante e acessórios que revelam sua ancestralidade, na Rua Chile. Para Negra Jhô, o convite para participar do evento no Pelourinho foi um marco que reforçou a presença e a estética negra no espaço urbano, motivando outras mulheres a se unirem nesse movimento cultural.
Originária do Quilombo da Muribeca, em São Francisco do Conde, Negra Jhô escolheu o Pelourinho como palco para sua arte. Ela recorda os tempos em que a valorização estética negra era incipiente nas ruas, ressaltando seu pioneirismo ao trazer elementos como trança e turbante para o centro histórico, fortalecendo o reconhecimento da cultura negra na capital baiana.
Moda Inclusiva e Empreendedorismo
Outro exemplo dessa transformação cultural é o modelo e empresário Carlos Cruz, que, descoberto há dez anos por Sivaldo Tavares, percorreu passarelas internacionais antes de voltar a Salvador com uma missão social. Carlos usa a moda como ferramenta de autoestima e inclusão, engajando jovens, a comunidade LGBTQIAP+ e pessoas com deficiência. Entre suas conquistas está a inclusão do primeiro cadeirante na São Paulo Fashion Week.
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O Instituto Periferia do Futuro, fundado por Carlos, funciona na Rua Chile e já atende 500 alunos com cursos de trança, maquiagem, moda, costura e, em breve, barbeiros. O projeto social oferece transporte e alimentação, além de promover eventos como o Fashion Pelô, que reuniu mais de mil pessoas, fortalecendo a economia criativa local.
Apoio Institucional e Ampliação de Oportunidades
O suporte da Prefeitura, via Fundação Gregório de Mattos (FGM), tem sido essencial para o instituto. Espaços como o Boca de Brasa e programações culturais permitem que jovens tenham acesso a ambientes como teatros e cinemas, antes pouco ocupados por eles. Ensaios semanais no Teatro Gregório de Mattos e no Espaço Cultural da Barroquinha garantem preparação contínua para esses talentos em ascensão.
Durante o Festival Boca de Brasa, o instituto lançou a coleção Òkùnkùn – Olhos na Escuridão, refletindo o pulsar cultural do bairro. Para Carlos Cruz, o Pelourinho passou por uma transformação significativa, com um cenário cultural pensado para avançar e expandir sua circulação na cidade.
Integração e Desenvolvimento Regional
Leonardo Régis, presidente da Associação do Centro Histórico Empreendedor (Ache), ressalta que as ações recentes, como São João, Natal e Carnaval, foram estrategicamente direcionadas para fortalecer a região e integrar seus atores. Apesar de desafios apontados em comitês de discussão, o movimento conjunto tem impulsionado o desenvolvimento e a visibilidade do Centro Histórico.
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Projetos para a Infraestrutura e Moradia
A presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, destaca projetos que revitalizam patrimônios como o imóvel da Câmara dos Vereadores e o Cine Excelsior, ampliando os atrativos culturais. Entre as iniciativas está um espaço para a exposição da Maquete de Salvador, localizado na Rua da Conceição de Praia, próximo ao Mercado Modelo.
Além disso, um programa de habitação está em desenvolvimento para atender a demanda por moradia no Centro Histórico, contemplando servidores públicos e famílias em situação de risco. O projeto prevê a recuperação de 25 imóveis no Comércio, totalizando cerca de 300 unidades, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e tem previsão para iniciar as obras no final de 2027.
Outro projeto de habitação social no Pilar, financiado pelo PAC Iphan e pelo município, visa atender famílias vulneráveis, promovendo a requalificação urbana e social da região.
O Centro Histórico como Cidade de Proximidade
Tânia Scofield reforça que o Centro Histórico é essencialmente um espaço de moradia, onde a proposta da “Cidade de Proximidade” busca integrar serviços, transporte, trabalho, comércio e educação em um ambiente acessível e conectado. Essa visão pretende transformar a dinâmica social e cultural do bairro, alinhando patrimônio e qualidade de vida para moradores e visitantes.
