Exposição no MUNCAB traz a água como símbolo de conexão
O Museu Nacional da cultura afro-brasileira (MUNCAB), situado no Centro Histórico de Salvador, abre as portas para a exposição “OMI TUTU – Água Fresca”, da artista brasileira-gabonesa Hariel Revignet, a partir de 11 de setembro de 2026. Curada por Jamile Coelho, que também é diretora artística da instituição, a mostra reúne pinturas e instalações que exploram temas como água, território, deslocamento, pertencimento e continuidade.
Água entre territórios: uma narrativa de travessias e transformações
Na obra de Hariel, a água é o elo que conecta diferentes territórios e experiências corporais. Rios, mares, lágrimas e caminhos aparecem como metáforas para as travessias entre Brasil e Gabão, países que marcam sua história pessoal e artística. O título da exposição, “OMI TUTU”, é uma expressão em iorubá que significa “água fresca” ou “água que refresca”. Essa expressão remete a conceitos de equilíbrio, conciliação e apaziguamento. A artista explica que sua pesquisa busca ir além da resistência e sobrevivência, apostando no transbordar das águas como símbolo de renovação.
Autobiogeografia e a fusão cultural entre Brasil e Gabão
Nascida em Goiânia em 1995, Hariel Revignet constrói sua produção artística a partir da vivência entre Brasil e Gabão, terra de origem paterna. Seu trabalho se baseia no conceito de autobiogeografia, que articula experiências pessoais com território e deslocamentos. Uma das imagens centrais da mostra é o estuário, local onde diferentes águas se encontram sem perder suas características próprias. Essa ideia também fundamenta o texto curatorial “Dentro do Mar tem Rio”, escrito por Jamile Coelho. Na visão da curadora, o oceano não é apenas uma barreira física entre territórios, mas um espaço de circulação, memória e continuidade cultural.
Percurso sensível entre águas e margens
O roteiro da exposição, idealizado pela arquiteta Gisele de Paula, foi pensado como uma sequência de águas e margens. Os visitantes atravessam espaços nomeados como Limiar, Mar de Lágrimas, Estuário Gabão, Rio Encantado e Portais do Retorno, que dialogam entre si e com as obras apresentadas. Entre as peças inéditas, destaca-se a instalação “Peixes – Sementes”, criada em 2026, composta por 195 esculturas de peixes que simbolizam a água como fonte de vida, movimento e transformação.
Salvador, água e cultura em diálogo com a arte
A diretora-geral do MUNCAB, Cíntia Maria, ressalta o significado da exposição para a cidade e sua relação com a cultura brasileira. Para ela, “Salvador é a cidade das águas e das mulheres. No Brasil, a água está presente nas práticas culturais, como banhos, lavagens, travessias e navegações. Ao reivindicar a água fresca, ‘OMI TUTU’ celebra a abundância e a vitalidade. Não basta sobreviver. É preciso transbordar.”
Informações para visitação
A mostra “OMI TUTU – Água Fresca” estará aberta ao público no MUNCAB até 14 de fevereiro de 2027. O museu funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h, com entrada até 16h30. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), com gratuidade às quartas-feiras e domingos. O MUNCAB está localizado na Rua das Vassouras, nº 25, no Centro Histórico de Salvador.
