Arte e ancestralidade em cena no Recôncavo e Salvador
O projeto artístico-pedagógico “Mukunã: do Recôncavo à Capital” promove a partir de agosto de 2026 uma série de atividades que combinam teatro, oficinas e ações culturais voltadas para a ancestralidade afro-brasileira nas cidades de Salvador e Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Com o apoio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a iniciativa traz o espetáculo Mukunã: do fio à raiz, além de oficinas artísticas, ações de acessibilidade, atividades formativas e transmissões ao vivo que se estendem até dezembro.
Idealizado e conduzido pela atriz, arte-educadora e gestora cultural Vika Mennezes, o projeto articula ações em locais como o Colégio Estadual de Tempo Integral da Ribeira, em Salvador, o Cine-Theatro Cachoeirano, em Cachoeira, e o Teatro Martim Gonçalves, no bairro da Canela, também em Salvador. O público-alvo inclui estudantes da rede pública, professores, universidades, comunidades e coletivos culturais, reforçando o diálogo entre educação e cultura.
Espetáculo e oficinas ampliam diálogo sobre identidade
A peça Mukunã: do fio à raiz é o ponto de partida da programação. Com quase dois anos de circulação, o espetáculo aborda a relação de uma mulher com sua ancestralidade por meio do cabelo, um símbolo de identidade e resistência. A atuação de Vika Mennezes foi reconhecida com indicação ao prêmio de Melhor Atriz no 30º Prêmio Bahia Aplaude, enquanto a composição de Filêmon Cafezeiro e Liz Novais conquistou o prêmio Revelação.
Em agosto, as primeiras apresentações acontecem no Colégio Estadual de Tempo Integral da Ribeira, com sessões que contam com intérprete de Libras para garantir acessibilidade. Em seguida, o projeto chega a Cachoeira com a oficina Meu Mukunã: Minha Raiz, que aproxima o teatro das temáticas de formação artística e ancestralidade.
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Setembro reserva duas apresentações gratuitas da peça no Cine-Theatro Cachoeirano, ampliando a circulação entre os espaços culturais das duas cidades.
Formação técnica e artística com foco afrocentrado
A programação inclui seis oficinas que exploram diferentes aspectos da cultura e da arte. Destacam-se Mukunã: Corpo, Raiz e Cena, com Vika Mennezes; Estética Afro, ministrada por Lore Bispo, vencedora do prêmio Deusa do Ébano 2025; e Dança Ancestral, conduzida por Paula Marinho. Também fazem parte do projeto oficinas de Iluminação para Espaços Alternativos, com Allison de Sá; Cenografia Teatral, com Alan Aljó; e Dramaturgia Afrocentrada, por Filêmon Cafezeiro.
Essas atividades articulam formação técnica, expressão artística e referências culturais afrocentradas, fortalecendo a identidade e o protagonismo negro nas artes cênicas.
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Agenda cultural e democratização do acesso
Em outubro, o Teatro Martim Gonçalves recebe novas sessões do espetáculo, previstas para os dias 1º, 2 e 3. Nos meses seguintes, as oficinas continuam nos colégios estaduais da Ribeira e Presciliano Silva, reforçando a presença do projeto nos ambientes escolares.
Além das ações presenciais, o projeto promove lives no Instagram sob o tema Uma História Cabeluda para Contar, que convidam o público a compartilhar experiências relacionadas ao cabelo e à identidade.
O Mukunã também investe em estratégias de acessibilidade e democratização do acesso, direcionando atividades a estudantes da rede pública, docentes, coletivos de mulheres, povos de terreiro, instituições culturais e comunidades surdas, ampliando o alcance do teatro e da cultura afro-brasileira.
