A realidade do bolso do brasileiro
“Não tem quase nada no meu carrinho e foram R$ 400.” “Metade do mês e o dinheiro acabou.” “Mas como oito itens custaram R$ 100?” Essas frases ecoam nos caixas dos supermercados e refletem a dura realidade que muitos brasileiros enfrentam hoje. Apesar do governo afirmar que a economia vai bem, os números no mercado e a experiência do consumidor dizem o contrário: o custo das compras aumenta enquanto o poder de compra diminui.
Helena Ribeiro, 46 anos, resume bem o sentimento de quem vive essa situação: “A pessoa leva duas horas para chegar ao emprego, trabalha o dia inteiro e encara mais duas horas para voltar, e o salário não paga nem as contas básicas.” Essa dificuldade de fechar as contas no fim do mês é uma rotina para mais da metade dos trabalhadores brasileiros.
Mais da metade dos brasileiros não conseguem pagar todas as contas no fim do mês
Pesquisa recente da Serasa Experian revela que 53% dos trabalhadores chegam ao fim do mês sem dinheiro suficiente para cobrir todas as despesas, uma leve melhora em relação a 2025, quando o índice era de 54%. Délber Lage, diretor de soluções para RH da Serasa, alerta que essa situação afeta grande parte da população e limita a capacidade das famílias de lidar com imprevistos financeiros, levando muitos a buscarem fontes alternativas de renda ou recorrerem ao crédito para fechar o orçamento.
Dívida pública alta e juros elevados pressionam os preços
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, atribui o aumento dos preços principalmente aos impactos da guerra no Oriente Médio. No entanto, a raiz do problema está no próprio governo, que enfrenta uma dívida bruta histórica de R$ 10,8 trilhões, equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa dívida expressiva compromete as finanças públicas e gera desconfiança no mercado.
Leia também: Durigan reforça que crise na Casas Bahia não reflete problema geral na economia brasileira
Leia também: Entenda a Crise Seletiva no Varejo por Trás das Recuperações Judiciais das Casas Bahia e Marabraz
Para driblar os limites do orçamento, o governo obtém autorizações para gastos extras via Congresso e Supremo Tribunal Federal, o que faz com que as despesas oficiais sejam subestimadas. O resultado prático é a necessidade de juros mais altos para garantir o pagamento dessas dívidas.
Taxa Selic em alta e consequências para famílias e empresas
A taxa básica de juros, a Selic, subiu de 2% em 2020 para 14% em 2026. Esse aumento impacta diretamente os custos de financiamentos e contratos, elevando os preços e reduzindo o consumo. O efeito dominó dessa política é visível: alta inadimplência e endividamento recorde entre os brasileiros. Em julho, quase 84 milhões de pessoas estavam endividadas, com média de R$ 7 mil em dívidas por pessoa.
Além disso, o número de empresas negativadas atingiu um recorde, com mais de 9 milhões de CNPJs nessa situação e dívidas que superam R$ 230 bilhões. Grandes varejistas, como casas bahia, Marabraz e Estrela, pediram recuperação judicial recentemente, mostrando que o impacto da crise econômica atinge também as empresas que movimentam o comércio nacional.
O que esperar para 2027?
A sucessão de pedidos de recuperação judicial revela um cenário preocupante para a economia brasileira. Sem queda nos juros e na inflação, o endividamento deve continuar crescendo, pressionando ainda mais a atividade econômica. O economista Yihao Lin, do Banco Genial, projeta desaceleração para 2027, com crescimento econômico estagnado, câmbio desfavorável e pressões políticas e climáticas que podem agravar a situação.
Leia também: Casas Bahia reduz prejuízo em 80% e aposta em transformação no varejo
Leia também: A Revolução da Casas Bahia em 2025: Crescimento Recorde e Reestruturação Bilionária
Hoje, muitas famílias recorrem ao parcelamento até para itens básicos, como pizza e supermercado, mas esse alívio é temporário, sustentado por incentivos fiscais. O país vive uma situação parecida com 2015, quando controles artificiais de preços causaram uma recessão profunda e prolongada. A recuperação real do varejo depende da melhora da capacidade financeira das famílias, o que passa necessariamente por um ajuste fiscal rigoroso e previsibilidade para investidores.
Impacto direto na vida dos brasileiros
Enquanto isso, consumidores como Helena buscam promoções para conseguir manter o orçamento. O preço do quilo do patinho, por exemplo, subiu para R$ 60, contra R$ 35 a R$ 45 em 2022. A incerteza sobre as eleições e o futuro econômico aumenta a apreensão das pessoas, que já sentem no bolso o peso das decisões tomadas no governo.
O cenário mostra que o brasileiro pode relevar muitas coisas, mas trabalhar duro e não conseguir garantir o básico para sua família é um limite difícil de aceitar. A economia brasileira precisa de medidas concretas para reverter essa trajetória e trazer mais segurança e qualidade de vida para a população.
