Recuperação Judicial e Fechamento de Lojas
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, acumulando R$ 17,3 bilhões em dívidas e um prejuízo de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre do ano. Essa situação crítica ocorre em meio a um cenário de juros elevados, restrição de crédito e consumo pressionado, que afeta não só a gigante do varejo, mas também outras redes que vêm fechando lojas, demitindo funcionários e deixando fornecedores em dificuldades. Segundo dados da Casas Bahia, 298 lojas físicas foram fechadas em todo o Brasil, com redução de 1,9 mil postos de trabalho. No Rio de Janeiro, havia 90 filiais em maio, embora a empresa não tenha especificado quantas foram afetadas no estado.
Crédito e Transformação do Varejo
Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, reconhece que, apesar dos esforços recentes para transformar a empresa, as mudanças não foram suficientes para enfrentar o atual ambiente econômico. A empresa busca agora operar de forma mais enxuta, concentrando-se em operações que gerem retorno e caixa, ajustando custos e investimentos para o novo patamar do mercado. O professor Vicente Ferreira, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que o crédito é um fator-chave para entender a situação do varejo, pois permanece caro e restrito. Além disso, o crescimento das vendas digitais, especialmente via marketplaces, pressiona o comércio físico, que enfrenta maiores custos para financiar estoques.
Repercussões no Comércio e na Economia Fluminense
Entidades como o Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio) e o Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) atribuem o fechamento de lojas e o aumento dos pedidos de recuperação judicial à política monetária com juros reais elevados, que penaliza empresas e famílias descapitalizadas. Essa dinâmica dificulta a sobrevivência do comércio, que é crucial para a circulação de produtos e geração de emprego. O economista Roberto Kanter, da Fundação Getulio Vargas (FGV), alerta para o efeito em cascata desse quadro, que atinge não apenas os funcionários diretamente ligados às lojas, mas também diversos prestadores de serviços ao redor, como transporte, limpeza e segurança.
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Efeito Territorial e Mercado Imobiliário
Milene Dellatore, especialista em finanças e sócia-diretora do Grupo Mide, explica que o fechamento de grandes lojas impacta negativamente o comércio local, afetando restaurantes, estacionamentos e pequenos negócios próximos. Além disso, observa que as vagas geradas pelo e-commerce não substituem necessariamente os empregos perdidos nas lojas físicas, pois envolvem atividades distintas e geralmente ficam concentradas em centros logísticos fora do estado. O mercado imobiliário comercial também sofre, já que imóveis grandes ficam vagos e sua adaptação para novos usos pode ser complexa e custosa. O CEO Hugo Silveira, do Grupo HRZ, reforça que a reconversão para clínicas, academias e centros educacionais é uma tendência para absorver esses espaços, mas imóveis em comércio de rua têm maior dificuldade para se reciclar, pressionando preços e a segurança das regiões afetadas.
Outras Redes e Mudanças no Varejo
Além das Casas Bahia, outras grandes redes enfrentam desafios semelhantes. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, entrou em recuperação extrajudicial em março de 2026, após reduzir drasticamente sua operação. A Americanas, que registrou inconsistências contábeis em 2023, ainda aguarda decisão judicial para encerrar sua recuperação judicial, com um plano aprovado por 91% dos credores. Hugo Silveira ressalta que o varejo foi construído em um modelo centrado na loja física, mas hoje o celular e o crédito pulverizado por fintechs e marketplaces mudaram esse cenário. A loja física permanece importante, mas já não justifica sozinha os altos custos fixos.
Perspectivas para Datas Comemorativas
Para o fim do ano, datas como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal ainda podem impulsionar o comércio, segundo Roberto Kanter. No entanto, ele alerta que vender mais não resolve problemas estruturais de empresas altamente endividadas. Além disso, o consumidor está cada vez mais informado, utilizando o celular para comparar preços e buscar ofertas, o que exige das empresas uma combinação de preço competitivo, disponibilidade de estoque, entrega rápida, experiência digital e atendimento qualificado para se destacar.
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Este cenário complexo demanda adaptação rápida e eficiente do varejo para evitar impactos mais profundos na economia do Rio de Janeiro e na geração de empregos, refletindo diretamente no bolso da população e na dinâmica econômica da região.
