O que muda para quem já comprou na Casas Bahia?
O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia não altera as obrigações dos consumidores que já adquiriram produtos e estão pagando por eles. Segundo Gabriel de Britto Silva, advogado especializado em direito do consumidor e diretor jurídico do Instituto Brasileiro de Cidadania (Ibraci), quem recebeu a mercadoria deve continuar quitando as parcelas normalmente. A recuperação judicial é um recurso para empresas em dificuldades financeiras reorganizarem suas dívidas, mas não significa interrupção dos serviços ou venda.
Posso deixar de pagar o carnê da Casas Bahia?
Não. Para consumidores que já receberam os produtos, a obrigação de continuar pagando permanece inalterada com a recuperação judicial. “Na prática, para quem já adquiriu e recebeu o produto, nada muda. Os pagamentos devem continuar sendo feitos normalmente”, explica Britto. A medida visa preservar a relação contratual entre consumidor e empresa, mesmo durante a crise financeira do grupo.
E se ainda não recebi o produto?
Consumidores que fizeram a compra, mas ainda não receberam a mercadoria, enfrentam maior risco de atraso ou falta de produtos em estoque. Caso a entrega não ocorra no prazo combinado, o cliente pode solicitar o cancelamento da compra e o reembolso dos valores pagos, orienta o advogado. É fundamental guardar documentos como nota fiscal, comprovante de pagamento e informações sobre o prazo de entrega para garantir os direitos.
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Qual é a situação atual da Casas Bahia?
O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, alegando uma dívida total de R$ 17,3 bilhões. O pedido envolve dez empresas da holding, incluindo as marcas Casas Bahia, Ponto Frio e o comércio eletrônico Extra.com.
Deste montante, R$ 16,4 bilhões são dívidas com credores quirografários, R$ 754 milhões com credores trabalhistas e R$ 154 milhões com micro e pequenas empresas. A empresa atribui suas dificuldades ao aumento dos juros, restrição de crédito, custos financeiros elevados e queda no consumo.
O grupo registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, um salto significativo em relação à perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Com isso, o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,1 bilhões.
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Medidas solicitadas à Justiça e impactos no funcionamento
Além do pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia requereu medidas para garantir a continuidade das operações, como a suspensão de execuções por 180 dias e a manutenção do fluxo de recebíveis. Também pediu a obrigatoriedade da entrega das mercadorias já compradas que estejam em trânsito com fornecedores para evitar desabastecimento nas lojas.
Essa nova etapa ocorre após uma recuperação extrajudicial realizada em 2024, que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras. O objetivo é preservar empregos, manter o comércio ativo e minimizar impactos para consumidores e fornecedores enquanto a empresa busca se reequilibrar financeiramente.
