Evento promove discussão sobre alfabetização e gestão educacional
A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) foi o local escolhido para sediar, nesta terça-feira (14), o Encontro Territorial do Movimento Bahia pela Educação. O evento reuniu prefeitos, secretários e articuladores públicos de 68 municípios, totalizando mais de 200 participantes. O principal objetivo da reunião foi discutir o crucial desafio da alfabetização de crianças na idade certa, além de abordar as novas diretrizes de financiamento educacional.
Apesar do recente crescimento nos índices de alfabetização no estado, especialistas destacam que diversas prefeituras baianas ainda enfrentam dificuldades em garantir verbas federais significativas. Um dos maiores obstáculos enfrentados é o não cumprimento das metas voltadas à redução das desigualdades educacionais, somado à falta de critérios técnicos na gestão escolar.
Em entrevista à equipe do Acorda Cidade, a coordenadora do movimento, Daniela Bitencourt, enfatizou a importância da alfabetização na idade correta, que implica na capacidade do aluno de ler, escrever e compreender pequenos textos ao final do segundo ano do ensino fundamental. ‘Estamos aqui discutindo, em um primeiro momento, esse desafio. Também trouxemos exemplos de sucesso, como o município de Novo Horizonte, que tem se destacado na alfabetização adequada das crianças e apresenta um elevado índice de qualidade de ensino’, afirmou Daniela.
Além disso, a coordenadora sublinhou que o planejamento estratégico dos gestores é fundamental para transformar a realidade nas salas de aula, impactando diretamente na formação dos docentes e na escolha dos materiais didáticos utilizados. ‘Atuamos com programas de alfabetização que se dedicam a cerca de 30 municípios que enfrentam mais dificuldades. Oferecemos 40 horas de formação para os professores. É importante lembrar que a Bahia aprende com a Bahia, e por isso trouxemos a experiência de Novo Horizonte’, acrescentou.
Feira de Santana: Um ponto de encontro estratégico
Sobre a escolha de Feira de Santana como sede deste encontro, Daniela Bitencourt destacou que a cidade, conhecida como Princesa do Sertão, serve como um ponto de convergência para quase todas as regiões da Bahia. ‘Feira de Santana é um local onde todos se encontram. Não poderíamos deixar de estar aqui, e além de Feira, já passamos por Juazeiro, Ilhéus, e planejamos ir a Vitória da Conquista, Barreiras e Salvador’, ressaltou.
Transformações nos modelos de financiamento
Durante o encontro, o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Leomar da Silva, trouxe à tona a transformação nos modelos de financiamento público. Segundo ele, o modelo anterior focava exclusivamente na quantidade de matrículas, enquanto o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) prioriza a aprendizagem efetiva de cada estudante, a equidade e a gestão escolar. ‘Não se trata apenas de uma política de recursos, mas também de uma estratégia que abrange essas questões. Mais escolas exigem mais gestão. Assim, é essencial que os municípios compreendam como suas redes estão estruturadas e funcionam, pois no antigo modelo de financiamento a distribuição era mais redistributiva. Atualmente, a aprendizagem de cada aluno é um fator determinante’, explicou.
Para enriquecer a discussão, o pesquisador detalhou que o novo Fundeb conta com complementações específicas, como o VAF (valor de investimento por aluno), o VAAT (com 50% dos recursos destinados obrigatoriamente à educação infantil) e o VAAR, que recompensa redes com bom desempenho. Silva destacou que o VAAR é um recurso que muitos municípios estão deixando de aproveitar ao não atender às exigências de redução das desigualdades educacionais. ‘A desigualdade é uma das componentes mais críticas do VAAR, e é vital que alunos, independentemente de onde venham, estejam aprendendo. Essa questão é especialmente problemática na Bahia’, observou.
Quanto à preservação de repasses federais no futuro, Leomar da Silva argumentou que a solução vai além da gestão financeira. Ele sugeriu uma reestruturação na gestão educacional, defendendo que as prefeituras realizem análise constante de dados para monitorar o desempenho escolar, possibilitando intervenções precoces e decisões embasadas em evidências, garantindo, assim, que as exigências do Ministério da Educação sejam efetivamente cumpridas.
