Divisões Internas no PT-RJ: Tensão em torno da Escolha de Suplente ao Senado
A recente escolha de um suplente para o Senado gerou tensões significativas dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro. Na última votação do diretório, o partido reafirmou seu apoio às candidaturas de Eduardo Paes, do PSD, ao governo, e de Benedita da Silva, do PT, ao Senado. No entanto, as discordâncias surgiram envolvendo os suplentes de Benedita, especialmente quando o grupo do atual prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), rejeitou a indicação de Manoel Severino, um nome controverso por sua ligação com escândalos. Em contrapartida, foram escolhidos Felipe Pires e Kleber Lucas como os novos suplentes. O PT também expressou apoio para que haja uma eleição direta a ser realizada para selecionar o substituto do ex-governador Cláudio Castro.
O diretório do PT no Rio confirmou, no último domingo (19), sua aliança com Eduardo Paes (PSD) e Benedita da Silva (PT). A unanimidade nas candidaturas, contudo, não foi suficiente para evitar atritos na escolha dos suplentes de Benedita. O grupo de Washington Quaquá, que detém a maioria no partido, manifestou descontentamento com tentativas de outras correntes internas de emplacar um candidato que tem um histórico questionável.
Inicialmente, o grupo de Quaquá mostrava resistência em apoiar a candidatura de Benedita ao Senado, mas eventualmente se uniu à deputada federal, que conta com o suporte de figuras influentes como o deputado Lindbergh Farias e o ex-deputado André Ceciliano. Entretanto, a influência de Quaquá prevaleceu na escolha dos suplentes, resultando em Felipe Pires, que é o líder do PT na Câmara Municipal do Rio, e o cantor e pastor Kleber Lucas, sendo o primeiro e segundo suplentes, respectivamente.
Em uma nota divulgada no domingo, Quaquá expressou surpresa com a insistência de alguns membros em incluir Manoel Severino como primeiro suplente. “Fomos pegos de surpresa com essa exigência, pois ele está envolvido em escândalos”, afirmou. Severino era o nome preferido pelos aliados de Benedita, mas sua indicação foi rechaçada na votação interna do diretório.
“Não aceitamos essa escolha. Em reunião do diretório, aprovamos os dois nomes que apresentamos”, ressaltou Quaquá. “Temos a responsabilidade de unir o partido e preservar a imagem do presidente Lula, evitando que nossa chapa majoritária tenha que se justificar sobre escândalos”, completou.
Movimento por uma Eleição Direta
Apesar das divergências em torno da suplência ao Senado, o PT mostrou concordância ao apoiar a candidatura de Paes e a proposta de realizar uma eleição direta para escolher o novo governante que substituirá Cláudio Castro (PL) até o fim do ano. O partido acredita que esta é a forma mais adequada de garantir a participação popular e o respeito aos princípios democráticos. “Acredito que somente o povo pode decidir o melhor futuro para o Estado do Rio de Janeiro”, declarou o PT em nota publicada em suas redes sociais.
Essa proposta de eleição direta já é defendida por Eduardo Paes. A alternativa, uma eleição indireta que daria poder apenas aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa (Alerj), é vista como desfavorável pelo grupo de Paes, que se encontra em minoria na Casa. A responsabilidade sobre essa decisão caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Recentemente, a Alerj elegeu Douglas Ruas (PL) como seu novo presidente. Ruas foi indicado pelo PL como candidato ao governo em outubro, onde enfrentará Paes. Os aliados do ex-prefeito estão fazendo esforços para evitar que Ruas assuma o governo antes das eleições de outubro, o que poderia lhe conceder uma vantagem competitiva indesejada.
