Investimento bilionário em biorrefinaria na Bahia
A Acelen Renováveis, braço energético do Mubadala Capital, anunciou um aporte de US$ 1,5 bilhão para iniciar a construção de uma biorrefinaria de combustíveis renováveis na Bahia, com previsão de conclusão para 2029. Parte deste investimento será financiada por um consórcio liderado pelo HSBC e IFC, que reúne dez instituições financeiras nacionais e internacionais, segundo informou a empresa.
Potencial do Brasil na transição energética
O projeto tem como objetivo posicionar o Brasil entre os principais polos globais de produção de combustíveis sustentáveis para aviação e transporte pesado. Além de ampliar a segurança energética do país, a iniciativa contribui para uma matriz energética mais resiliente frente às oscilações e crises internacionais. A Acelen Renováveis destaca que esta fase consolida a confiança do mercado internacional nas vantagens competitivas brasileiras para desenvolver uma nova plataforma industrial de baixo carbono.
Leonardo Yamamoto, sócio do Mubadala Capital, ressaltou que o Brasil combina escala agrícola, excelência industrial e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Segundo ele, o Mubadala aposta no potencial brasileiro para produzir combustíveis renováveis em grande escala e está comprometido com essa trajetória.
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Estrutura financeira e técnica do projeto
A IFC (International Finance Corporation), ligada ao Grupo Banco Mundial, atuou como coordenadora geral e lead arranger junto ao HSBC para estruturar o financiamento, após rigorosa análise técnica, ambiental e social. O investimento total da primeira unidade integrada deve superar US$ 3 bilhões, incluindo um braço agroindustrial voltado ao cultivo, extração e beneficiamento de coprodutos da macaúba, além do uso de óleo de soja e UCO (óleo de cozinha usado).
Olaf Schmidt, diretor regional da IFC para Manufatura, Agronegócio e Serviços na América Latina e Europa, afirmou que o aporte reforça o compromisso da instituição em catalisar capital privado para projetos transformadores. O apoio à instalação de uma das maiores unidades de SAF (combustível sustentável para aviação) da América Latina visa demonstrar a viabilidade comercial, reduzir riscos e estimular investimentos replicáveis na região.
Avanços e impactos econômicos esperados
A Acelen Renováveis já concluiu a engenharia integrada do projeto, negociou contratos estratégicos e garantiu cerca de 90% da comercialização dos combustíveis SAF e HVO. Luiz de Mendonça, CEO da empresa, destacou que a estruturação do financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do empreendimento, que entra agora em fase de execução industrial em larga escala.
Durante o pico das obras, a expectativa é gerar aproximadamente 3,6 mil empregos diretos e indiretos. A empresa planeja cultivar 144 mil hectares em áreas degradadas, destinando 20% para parcerias com agricultura familiar e pequenos produtores. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) aponta que a cadeia integrada do projeto pode movimentar até US$ 40 bilhões na economia brasileira e criar cerca de 85 mil empregos diretos e indiretos na próxima década.
