Educação e cultura em ação nas ruas de Juazeiro
O bairro João Paulo II, em Juazeiro, foi palco para a expressão da cultura negra e das mensagens de resistência durante o desfile do Bloco Antirracista, promovido pelo Colégio Estadual de Tempo Integral Guiomar Barreto Meira. A atividade aconteceu nesta sexta-feira (6) e integra a programação do novembro negro na Rede Estadual de Ensino da Bahia. Ela faz parte do projeto Sentindo na Pele, que ao longo do ano escolar desenvolve ações voltadas à valorização da identidade, ao enfrentamento do racismo e ao reconhecimento da história e da cultura afro-brasileira.
Novembro Negro e a importância da consciência histórica
O mês de novembro é reservado no Brasil para celebrar a Consciência Negra, em homenagem à resistência da população negra e à memória de Zumbi dos Palmares, cuja morte em 20 de novembro de 1695 marcou essa data. Nas escolas, essa reflexão se manifesta por meio de clubes de leitura, aulas sobre ancestralidade, festivais artísticos, feiras de ciências, oficinas, rodas de conversa e debates sobre autodeclaração e políticas de cotas. Durante o desfile, as produções realizadas foram compartilhadas com os moradores por meio de QR Codes distribuídos ao público, aproximando a comunidade das atividades pedagógicas.
Impacto na escola e na comunidade
Para Wildes Marileia de Souza Araújo, coordenadora pedagógica, o Bloco Antirracista representa a conclusão de um processo de aprendizagem construído ao longo do ano. “É uma atividade educativa e representativa dos nossos estudantes, que levam para além dos muros da escola os conhecimentos produzidos sobre essa temática. Com os QR Codes, a comunidade também pode conhecer as experiências e construções realizadas em sala de aula”, explicou.
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A professora de Língua Portuguesa, Naza Mariano, destacou que a mobilização amplia o alcance das discussões sobre respeito à diversidade. “Um ato como este é importante para sensibilizar a comunidade e os estudantes sobre o racismo, a intolerância e a valorização da consciência negra, além de reconhecer toda a pluralidade que o movimento negro traz, especialmente na Bahia”, afirmou.
Estudantes falam sobre o significado do projeto
Victoria Silva de Barros, aluna da 3ª série do Ensino Médio, ressaltou a relevância de levar a discussão para as ruas e chamar a atenção para o racismo estrutural presente na sociedade. Manoel Rodrigues, da 2ª série, acrescentou que a iniciativa celebra a força da cultura negra e sua contribuição para o Brasil. Entre música, dança e conhecimento compartilhado, o Bloco Antirracista transformou o espaço público em extensão da sala de aula, reafirmando que educação, identidade e respeito são construídos diariamente.
