Relatos revelam impacto das demissões nas Casas Bahia
Trabalhadores demitidos das Casas Bahia denunciam o não recebimento de suas rescisões, segundo levantamento realizado pelo sindicato da categoria. Os relatos expostos pela entidade mostram o peso financeiro imediato para essas famílias. “Estamos com dívidas atrasadas e até sem comer” e “Tenho casa para pagar, contas (…) Estou desesperado” são algumas das declarações que ilustram a crise enfrentada por esses trabalhadores.
Justiça suspende demissões coletivas e mantém vínculos
No dia 2 de setembro, a Justiça do Trabalho revogou as demissões coletivas promovidas pelo grupo Casas Bahia, negando o recurso da empresa para suspender a liminar obtida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC). A decisão determina que os vínculos empregatícios e benefícios assistenciais sejam restabelecidos provisoriamente para os 1.900 funcionários desligados, enquanto aguarda-se o julgamento de novos recursos. Para o diretor secretário-geral da CNTC, Lourival Figueiredo Melo, a demora nos desdobramentos jurídicos agrava a situação dos trabalhadores. “O tempo da empresa e da Justiça não é o mesmo de quem tem aluguel, alimentação e filhos para sustentar”, afirmou.
Negociação e recuperação judicial em pauta
A CNTC defende que a empresa dialogue para apresentar soluções concretas que amparem as famílias afetadas. As dispensas ocorreram no contexto do pedido de recuperação judicial da varejista, que busca renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas após o fechamento de 298 lojas. O plano de recuperação prevê a prorrogação de dívidas trabalhistas, o que pode atrasar e reduzir os valores das rescisões. A Justiça enfatizou que a crise econômica não exime o grupo do dever de proteger os trabalhadores, ressaltando a necessidade de equilibrar a recuperação financeira com a preservação dos empregos e da sustentabilidade social.
Diretrizes do Supremo Tribunal Federal orientam decisões
O entendimento judicial segue a tese do Supremo Tribunal Federal (STF) que exige negociação coletiva prévia para demissões em massa, sem demandar um acordo formal antecipado. Lourival Figueiredo Melo reforça a importância de a Casas Bahia superar a crise preservando sua atividade econômica e os empregos que gera. “A recuperação da empresa precisa caminhar junto com a proteção de quem ajudou a construí-la”, conclui o dirigente sindical.
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