Um Marco na Trajetória de Lazzo Matumbi
O clima era de festa e emoção na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, onde os ingressos esgotaram para o show que celebra os 45 anos de carreira do cantor e compositor Lazzo Matumbi, reconhecido como “a voz da Bahia”. Em meio a gritos de “Lazzo! Lazzo!”, o artista expressou sua gratidão por realizar um sonho antigo: apresentar seu primeiro audiovisual, gravado recentemente, que evidencia a ancestralidade e resistência presentes em sua obra.
Raízes e Ritmos da Bahia no Palco
Com direção artística de Manno Góes e musical de Ubiratan Marques, o projeto “Matumbi canta a Bahia” ilumina a trajetória de Lazzo marcada pela valorização da cultura afro-indígena e pela divulgação de ritmos como samba-reggae, ijexá e reggae. O repertório inclui sucessos como “Alegria da cidade”, eternizada por Margareth Menezes, “Me abraça e me beija” e “14 de maio”. O audiovisual, que terá estreia no YouTube e no selo Mapa/ADA da Warner, também conta com participações especiais da nova geração de artistas baianos, como BaianaSystem, Rachel Reis, BNegão e Ravi Lobo.
Reconhecimento e Influência na Música Baiana
Aos 69 anos, Lazzo Matumbi vive um momento de maior visibilidade, sendo reverenciado por artistas contemporâneos e convidado para colaborações em discos e shows em todo o Brasil. Para Roberto Barreto, guitarrista do BaianaSystem, Lazzo é fundamental para compreender a conexão entre a música baiana, a Jamaica e a música negra norte-americana, além de ser uma referência criativa e cultural. Rachel Reis destaca o magnetismo e a originalidade do cantor, ressaltando seu papel como uma ‘‘pedra preciosa’’ da música brasileira.
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Compromisso com a Cultura Afro-Indígena
Manno Góes reforça a coerência do discurso de Lazzo, que une resistência e compromisso cultural em sua arte, tornando-o um artista essencial para o entendimento das raízes e da ancestralidade brasileiras. Essa conexão profunda se traduz nas letras e na presença de palco do cantor, que desde cedo enfrentou preconceitos e dificuldades, desde as rodas de samba com sua mãe até as barreiras raciais no meio artístico.
Reflexões sobre História e Sociedade
Uma das canções mais emblemáticas de Lazzo, “14 de maio”, composta por Jorge Portugal, é um poderoso comentário sobre a abolição da escravidão no Brasil e as condições enfrentadas pelos negros após a assinatura da Lei Áurea. Cantada em coro pelo público, a música evidencia a persistência das desigualdades e a necessidade de continuar o debate sobre justiça social no país.
Críticas ao Eurocentrismo e à Desvalorização Cultural
Lazzo não hesita em apontar o eurocentrismo presente na sociedade brasileira e a negligência com a cultura afro-indígena, citando o carnaval da Bahia como exemplo de como a cultura negra é muitas vezes subestimada em favor do turismo e de interesses comerciais. Ele destaca que o Brasil é sustentado por pilares afrodescendentes e indígenas que ainda precisam ser mais reconhecidos e valorizados.
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Resistência e Autenticidade na Carreira
Ao longo dos anos, o artista enfrentou boicotes e rótulos por seu posicionamento político e social. No entanto, manteve firme sua essência e buscou parcerias que o ajudassem a ultrapassar barreiras raciais no mercado musical. Essa resistência se reflete também no seu modo de encarar o sucesso, que não mede por cifras ou fama, mas pela conexão verdadeira com o público.
A Conexão com o Público e a Inspiração para Novas Gerações
Lazzo valoriza o contato direto com a plateia, que o emociona e alimenta sua arte. Para ele, o reconhecimento dos jovens que o veem como referência é a confirmação da importância de sua trajetória de luta e perseverança. O cantor incentiva a busca por sonhos e reafirma o orgulho de sua identidade, encarando cada dia com amor próprio e determinação.
Com o lançamento do audiovisual previsto para novembro e a expectativa de exibição na TVE, Lazzo Matumbi segue ampliando a circulação de sua obra e reafirmando sua voz como um dos pilares da cultura baiana e brasileira, convidando o Brasil a se olhar no espelho e reconhecer suas raízes.
