Diálogo entre cultura e periferia
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, participou na última quinta-feira (2) de um encontro significativo com influenciadores e comunicadores baianos, realizado no espaço Casa Rosa, em Salvador. O evento reuniu nomes como Cintia Matos, Raimundo Cavalhier, Nega Fyah, Lorena Ifé, Deco Lipe, Cássia Valle, Brenda Sales, Professor Bira, Betth Garcia, Ashley Malia e Rafaele, em uma conversa que priorizou o fortalecimento do diálogo e a escuta ativa das vozes que atuam na linha de frente do debate cultural.
A ação, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), tem como objetivo aprofundar o entendimento sobre as demandas e iniciativas culturais locais, especialmente aquelas que envolvem a produção artística nas periferias brasileiras. Em formato de perguntas e respostas, os participantes puderam discutir temas como valorização da cultura, políticas públicas de incentivo e os desafios enfrentados por movimentos culturais emergentes.
Investimento em cultura periférica e políticas afirmativas
Durante a conversa, a escritora, poetisa e influenciadora Nega Fyah trouxe à pauta o fortalecimento do movimento slam no Brasil, que tem suas raízes principalmente nas periferias das grandes cidades. A Ministra Margareth Menezes destacou que o MinC tem direcionado esforços e recursos para essas regiões, reconhecendo a riqueza cultural produzida especialmente pela população jovem.
“Existem ativos de financiamentos que saem do Governo do Brasil diretamente para as secretarias estaduais e municipais de cultura. Assim, a gente consegue chegar na periferia”, afirmou a ministra. Essa estratégia tem possibilitado que cidades sem secretarias de cultura passem a contar com recursos próprios para fomentar suas expressões culturais.
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Margareth Menezes também ressaltou os desdobramentos da Lei Rouanet, citando iniciativas como a Rouanet Favela e a Rouanet Juventude. Esses dispositivos possuem teto de R$ 200 mil e já vêm com o patrocinador definido, facilitando o acesso ao financiamento para projetos que historicamente tiveram dificuldade de captar recursos.
Literatura, memória e identidade cultural
No encontro, o escritor e agitador cultural Deco Lipe destacou a relevância da literatura na formação da identidade social. Em resposta, a ministra mencionou o discurso do presidente Lula, que ressaltou a necessidade de mais livros e menos armas no país, um direcionamento que tem guiado as ações do MinC.
“Estamos trazendo luz para os novos escritores, para que o Brasil conheça uma narrativa mais própria. Também cresceram muito as feiras literárias, graças ao apoio da Lei Aldir Blanc. A Bahia mesmo é um grande exemplo disso”, completou.
A atriz, escritora e influenciadora Cássia Valle, formada no Bando de Teatro Olodum, enfatizou a importância de resgatar memórias históricas brasileiras, como a de Maria Felipa, para reafirmar a construção da história do povo negro. Para a ministra, contar essas histórias é fundamental para revelar a verdadeira face do país e fortalecer a resistência cultural.
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“Essas memórias mostram como o nosso povo conseguiu atravessar o tempo e sobreviver sem ter direito a nada. Foram séculos de escravidão e, se estamos aqui, é porque os nossos antepassados sobreviveram”, reforçou.
Influência cultural e políticas de valorização afrobrasileira
O professor e influenciador Bira compartilhou como a trajetória de Margareth Menezes, especialmente por meio do Samba Reggae, impactou positivamente sua identidade e formação como professor de Geografia da África. A ministra relembrou o papel transformador dos blocos afros na sociedade baiana, ao trazer à tona histórias pouco abordadas nas escolas.
“Quando eles cantavam as histórias que a gente não ouvia nas escolas, aquilo inspirava e foi uma revolução para nós”, afirmou. Ela também destacou que as políticas do MinC hoje incluem ações afirmativas robustas, com mais de R$ 400 milhões destinados à cultura afro-brasileira, assegurados por lei.
Este encontro reafirma o compromisso do Ministério da Cultura em ouvir e fortalecer os atores culturais periféricos, promovendo o reconhecimento e a circulação das diversas manifestações artísticas que compõem a identidade cultural brasileira.
