A Bienal do Livro da Bahia: Celebração da Literatura e da Educação
A Bienal do Livro da Bahia 2026 está em plena atividade, destacando a valiosa participação de estudantes e professores da rede estadual. No espaço denominado “Deixa Eu Falar”, presente no estande do Governo do Estado, 36 estudantes e 19 docentes apresentam suas obras e performances literárias. Essa iniciativa, promovida pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), ressalta a importância do protagonismo estudantil e do trabalho dos educadores, fortalecendo a escola estadual como um importante ponto de difusão cultural.
Entre os projetos em evidência, o “Tempos de Arte Literária” (TAL) se destaca por reunir produções de alunos de todos os territórios de identidade da Bahia. As obras abordam diversos temas sociais e culturais, refletindo a realidade dos jovens. Nesta quarta-feira (15), a estudante Thaline Silva Leandro, da Escola Estadual Teotônio Vilela, de Feira de Santana, deu voz à sua criação “Dor não contada, culpa mascarada”, a qual aborda a violência de gênero. “A sensação de declamar é sempre incrível. Hoje, na bienal, foi ainda mais especial. Performar uma apresentação poética sobre violência de gênero é emocionantes para aqueles que me ouvem. Meu poema surge da resistência contra a violência, a misoginia e o feminicídio. Estamos nos levantando de uma trajetória de dor para mostrar que temos espaço na sociedade e que não aceitaremos mais o silenciamento”, enfatizou Thaline.
Discussões Cruciais Através da Literatura
Dando continuidade à programação do TAL, nesta quinta-feira (16), o estudante Felipe Brás dos Santos, do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, apresentará sua obra que discute a vivência da população negra e as consequências da escravidão sob uma ótica crítica. “Escrever sobre a trajetória do meu povo, que enfrentou tantas dificuldades, é uma experiência marcante. Minha obra é um protesto contra o racismo”, afirmou Felipe. Na sexta-feira (17), as estudantes Laila Nunes da Silva e Laina Torres farão a apresentação de “Pátria amada”, uma obra que retrata o período da ditadura militar, enfatizando a dor das vítimas e a importância de recordar esse período sombrio para evitar a repetição de erros do passado.
Professores como Autores: Uma Nova Perspectiva
A programação da Bienal também inclui a participação de professores escritores da rede estadual, que têm a oportunidade de compartilhar suas obras criadas no ambiente escolar. Jandaira Fernandes da Silva, do Colégio Estadual de Tempo Integral de Gandu, é uma das autoras presentes e apresenta o livro “Lilica: a princesa que engoliu o choro”, que discute temas como racismo e bullying nas escolas. “Participar da bienal me permite trazer o bullying e o racismo para o centro do debate. Meu livro fala sobre resistência e sobre a importância de as crianças se verem representadas nas histórias que leem”, declarou Jandaira. Além disso, a docente ressaltou a importância de sua trajetória na educação pública: “Fui aluna da rede pública e hoje leciono em uma escola estadual. Posso mostrar aos meus alunos que, através da Educação, conseguimos romper barreiras e mudar realidades.”
Atraindo Novos Leitores
Além das apresentações literárias, a Secretaria da Educação está promovendo a visita de aproximadamente dez mil estudantes de 250 escolas, entre os dias 15 e 18. Essa ação inclui a distribuição de vales-livros no valor de R$ 100 cada, estimulando o acesso à literatura e a formação de novos leitores. A SEC afirma que essa iniciativa reafirma seu compromisso com a democratização do conhecimento e a promoção de uma educação pública de qualidade.
