Um Laboratório Vivo de Educação Ambiental
No coração do bairro Arenoso, em Salvador, estudantes do Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos estão reimaginando seu espaço escolar através do Florestópolis, um projeto que visa promover a educação ambiental e o agroflorestamento. Essa iniciativa é realizada em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e busca transformar a escola em um verdadeiro laboratório vivo.
Por meio do Florestópolis, os alunos têm a oportunidade de aprender na prática sobre diversas técnicas, como plantio, fertilização do solo e a importância da preservação ambiental. A estudante Pâmela Vitória, de 17 anos, revelou como essa experiência prática potencializa seu aprendizado. “Aprendi de forma objetiva a colocar a planta na terra”, destacou, ressaltando que as atividades ajudam a criar um entendimento mais profundo entre teoria e prática.
Educação Integrada em Território Quilombola
O colégio, que atende cerca de 900 alunos nas etapas do Ensino Fundamental II, Ensino Médio/Técnico e Educação de Jovens e Adultos (EJA), está localizado em um território quilombola. A proposta educacional do Florestópolis abrange diversas áreas do conhecimento, incluindo biologia, geografia, artes e química. Para o professor de biologia Joctã Moura, a grande inovação do projeto é a possibilidade de aplicar os conteúdos científicos no dia a dia dos estudantes. “O mais extraordinário é abrir os livros e trazer todo aquele conhecimento científico para as aulas práticas. Aqui, os alunos conseguem compreender a fertilização do solo e a ação de micro-organismos, fungos e bactérias”, explica o professor.
Um Modelo de Educação Integral
O Colégio Estadual Clarice Santiago dos Santos faz parte do modelo de escolas de tempo integral da rede estadual da Bahia. Essa política educacional busca não apenas ampliar o tempo de permanência dos alunos na escola, mas também diversificar as atividades pedagógicas oferecidas. Manoel Calazans, assessor especial da Secretaria da Educação da Bahia (SEC), enfatiza que a proposta é proporcionar acesso a diferentes experiências de aprendizado. “Todo o ensino é pensado para que o aluno fique mais tempo na escola. E não pode ser só sala de aula. A escola precisa oferecer espaços agradáveis e atividades que integrem diferentes áreas do conhecimento”, comenta Calazans.
Produção Sustentável e Alimentação Saudável
Além das atividades pedagógicas, o colégio mantém hortas e áreas de cultivo como parte do projeto. Esses espaços não apenas enriquecem o aprendizado, mas também contribuem para a alimentação dos estudantes, com a produção de alimentos como maracujá, cana-de-açúcar, mamão, cacau, hortelã-grosso e alface. De acordo com o diretor Marcos César Guimarães, o projeto de agroflorestamento sintrópico desempenha um papel fundamental na recuperação de áreas degradadas e na recomposição da vegetação nativa.
Reconhecimento e Impacto Social
A iniciativa Florestópolis já ganhou destaque e reconhecimento no cenário estadual, recebendo elogios do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema). Recentemente, o projeto conquistou o terceiro lugar no Prêmio Bahia Sustentável 2024 na categoria Tecnologia Social Sustentável. Essa conquista não apenas reafirma a importância das práticas ambientais na educação, mas também demonstra como os jovens podem ser agentes de mudança em suas comunidades.
