Ação do Ministério Público da Bahia
O Ministério Público da Bahia (MP/BA) fez uma importante recomendação para a Prefeitura de Formosa do Rio Preto, localizada no oeste da Bahia, sugerindo a suspensão do contrato celebrado para a realização do show do cantor sergipano Natanzinho Lima. O artista está escalado para se apresentar na 40ª edição da Vaquejada do município, marcada para o dia 28 de maio.
A recomendação, formalizada na última quinta-feira, 23, fundamenta-se nas discrepâncias do cachê estipulado, que foi fixado em R$ 800 mil. Segundo o MP, esse valor excede os limites considerados razoáveis, conforme os parâmetros estabelecidos pela Nota Técnica Conjunta, que envolve o Ministério Público da Bahia, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/BA) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/BA), a qual orienta sobre a gestão de recursos públicos em eventos festivos.
Análise de Custos e Parâmetros de Razoabilidade
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A verificação realizada pelo MP utilizou dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos, que revelou que a média de pagamento para as 23 apresentações do cantor em outras cidades da Bahia durante o ano de 2025 gira em torno de R$ 604 mil. Assim, o valor pago pela Prefeitura de Formosa do Rio Preto apresenta uma diferença superior a R$ 195 mil quando comparado à média estabelecida para o estado.
Essas evidências levaram o Ministério Público a considerar que o contrato em questão poderia estar infringindo os princípios da economicidade e da razoabilidade. Por isso, a recomendação visa interromper o acordo e prevenir possíveis danos às finanças públicas do município. Até o momento, a administração local não se manifestou oficialmente a respeito da orientação do MP.
Impacto na Cultura e Eventos Locais
A Vaquejada de Formosa do Rio Preto é um evento de grande importância cultural e atrai muitos visitantes a cada ano. Entretanto, a questão do custo dos shows contratados levanta um debate sobre a responsabilidade na utilização dos recursos públicos, especialmente em tempos de dificuldades financeiras enfrentadas por diversas prefeituras. A expectativa é que a gestão municipal analise cuidadosamente a recomendação do MP, considerando não apenas a realização do evento, mas também a saúde financeira do município.
Essa situação também reforça a necessidade de transparência nas contratações de artistas e no uso de verbas públicas. Especialistas em finanças públicas sugerem que as prefeituras realizem estudos de viabilidade econômica e consultem os parâmetros estabelecidos pelos órgãos competentes antes de fechar acordos financeiros. Dessa forma, será possível assegurar que os eventos promovidos sejam viáveis tanto culturalmente quanto economicamente.
