Experiência cultural que transforma a percepção dos jovens
“Só conhecia pela televisão”. Essa foi a reação do jovem Isaque Moreira, de 16 anos, ao visitar Salvador pela primeira vez durante uma saída cultural promovida pelo Programa Bahia pela Paz. A ação, fruto de uma articulação entre os Coletivos Bahia pela Paz, coordenados pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), levou 14 jovens do Coletivo Mangabeira, de Feira de Santana, para uma imersão no Centro Histórico de Salvador.
Durante o passeio guiado no pelourinho, um dos bairros mais representativos da cultura afro-brasileira, Isaque expressou a emoção de estar diante de um espaço que até então existia apenas nas imagens da televisão. “Eu gostei de vir hoje pra cá. É diferente conhecer pessoalmente, de perto. Tudo parece bem maior. Pra mim, valeu a pena ter vindo”, contou o adolescente, que participa de acompanhamento psicossocial no coletivo.
Riqueza cultural em cada esquina do Pelourinho
A programação teve início no Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), equipamento da SecultBA dedicado às políticas culturais identitárias da Bahia. Os jovens seguiram pelos largos do Pelourinho, bairro histórico e símbolo da ancestralidade negra no Brasil. Entre os locais visitados, destacaram-se o Largo Quincas Berro DÁgua, onde estão a Casa do Hip Hop e a Casa da Cultura do Idoso, espaços que reforçam a diversidade cultural da região.
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O grupo também participou de um bate-papo sobre a trajetória da multiartista e trancista Ya Dagan Negra Jhô, reconhecida por valorizar a estética e cultura afro-brasileira em Salvador, especialmente por meio do Grupo Cultural Kymundu. Outro ponto alto do passeio foi a oficina de capoeira ministrada pelo Mestre Biriba no Largo Tereza Batista, dentro da programação do Festival Pelourinho Cultural, que conta com o patrocínio da Petrobras.
Impactos pessoais e sociais da experiência
Assim como Isaque, Thaylana Rosário, de 15 anos, também conheceu o Pelourinho pela primeira vez. Estudante do 8º ano e acompanhada psicologicamente pelo coletivo, ela revelou o desejo antigo de ver de perto os casarões coloridos do bairro. “Eu tinha muita vontade de ver os casarões coloridos do Pelourinho de perto”, disse a jovem, que destacou ainda a melhora nas relações familiares após iniciar o acompanhamento. “Minha relação com minha mãe melhorou bastante, e isso ajudou muito dentro de casa”, acrescentou.
Frank Ribeiro, coordenador-geral dos Coletivos Bahia pela Paz do Interior, ressaltou a importância do Pelourinho para essa experiência. “O Pelourinho faz parte da história da Bahia e do Brasil. Aqui, a cultura pulsa em cada esquina. Esse contato é importante para que esses jovens sintam pertencimento e compreendam que também podem construir projetos de vida dentro da arte, da cultura e da produção cultural”, afirmou.
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Geovan Bantu, coordenador de Dinamização do Centro Histórico de Salvador (CCPI/SecultBA), reforçou o papel da cultura na prevenção da violência e na construção de novas perspectivas para jovens periféricos. “A prevenção da violência não será resolvida somente com policiamento. É preciso inteligência, ações sociais e de base que motivem essa juventude, majoritariamente negra e periférica, que muitas vezes já nasce com direitos sequestrados. Quando esses jovens têm contato com a cultura, com artistas e com a produção cultural, eles passam a acreditar que também podem ocupar esses espaços, esses palcos e transformar suas vidas”, destacou.
Programa Bahia pela Paz e a promoção da cidadania
A saída cultural faz parte das ações do Programa Bahia pela Paz, que tem como foco a prevenção e redução da violência letal entre crianças, adolescentes e jovens em situação de alta vulnerabilidade social, incluindo suas famílias. O programa adota uma perspectiva ampliada de segurança pública, integrando ações sociais, cidadania, garantia de direitos e atuação qualificada das forças policiais, com articulação entre secretarias estaduais e apoio do sistema de Justiça.
Essa iniciativa evidencia como a cultura pode ser instrumento de transformação social, aproximando jovens da sua história e fortalecendo sua identidade, enquanto abre caminhos para novas possibilidades de vida. A próxima etapa da agenda cultural do Programa Bahia pela Paz segue com ações que promovem o protagonismo juvenil e a valorização da diversidade cultural na Bahia.
