Prefeitos Goianos Avançam em Concessão que Pode Prejudicar a Economia Baiana
Uma articulação recente envolvendo prefeitos de Goiás chama a atenção para um movimento que ameaça diretamente a economia da Bahia. Trata-se da concessão para a duplicação da BR-020 no trecho entre Brasília e Barreiras, que vem sendo acelerada para beneficiar o estado goiano em detrimento do baiano. Em audiência realizada no dia 13 de maio com o ministro dos Transportes, prefeitos de municípios como Planaltina de Goiás, Alvorada do Norte, Colina do Sul e Guarani de Goiás, acompanhados por um senador local, defenderam a antecipação do edital da concessão para março de 2027, originalmente previsto para agosto do mesmo ano. Curiosamente, a reunião contou com a participação de um parlamentar baiano, o que surpreende diante do impacto negativo para o estado da Bahia.
A Estratégia da Concessão e o Impacto Econômico para a Bahia
A concessão em questão abrange o trecho Brasília-Formosa (GO), já duplicado e incorporado para viabilizar o projeto. No extremo oposto, o trecho Luís Eduardo Magalhães-Barreiras, que fica na BR-242, será incluído na concessão da BR-020 para fortalecer a proposta. Segundo o deputado goiano José Nelto, “o movimento entre Luís Eduardo Magalhães e Barreiras é muito grande, são regiões de alta produção agrícola”. Essa manobra, no entanto, configura um verdadeiro sequestro da economia baiana, pois a elevada densidade de tráfego no trecho da BR-242 está sendo apropriada para viabilizar a concessão da BR-020, enquanto a modernização da BR-242, crucial para o escoamento da produção baiana, fica de fora.
O deputado goiano deixa claro que “toda a riqueza do Oeste Baiano vem para Goiás para seguir até o Porto de Santos”, prometendo em contrapartida uma suposta melhoria para os goianos e brasilienses que viajam para as praias da Bahia. Essa promessa, no entanto, não oculta o estelionato que está em curso, pois a lógica do escoamento da produção baiana já está estabelecida e não passa por Goiás.
O Caminho Correto do Escoamento da Produção Baiana
Em 2025, o Porto Cotegipe, na Bahia, escoou 6,9 milhões de toneladas, com capacidade para até 12 milhões por ano. O algodão baiano, segundo maior do país, já utiliza o Tecon-Salvador para exportação, chegando a 20% em 2025 e estimando alcançar 80% nos próximos dois anos. O que falta é a infraestrutura rodoviária adequada, especialmente a modernização da BR-242, que liga o Oeste baiano aos portos do litoral.
Estudos técnicos e econômicos já indicaram a inviabilidade da concessão da BR-242 até Rafael Jambeiro, onde encontra a BR-116. Essa inviabilidade surpreende, mas fica explicada ao constatar que o trecho Luís Eduardo Magalhães-Barreiras está sendo incorporado à concessão da BR-020, não à da BR-242. Essa situação é um absurdo que prejudica a Bahia e limita seu desenvolvimento econômico.
Prioridade para a BR-242 e o Papel do Governo Federal
A BR-242 é uma rodovia estratégica para a economia baiana, conectando áreas produtivas ao litoral e aos portos. Por isso, sua modernização é urgente, seja por meio de concessão ou execução direta pelo governo federal. A concessão é apenas um instrumento para viabilizar investimentos onde o setor público não consegue atuar sozinho, podendo inclusive ser patrocinada.
A falta de planejamento e a inversão de prioridades têm causado perdas para a Bahia. A concessão da BR-116 Norte até Salgueiro (PE) está sendo leiloada antes da BR-116 Sul e da BR-324, que integra o trecho Feira de Santana-Salvador. Essa decisão ignora também a importância do polo de agricultura irrigada de Juazeiro-Petrolina (PE), um dos maiores produtores e exportadores de frutas do país.
O Risco à Integridade Territorial e o Desafio da Bahia
Com a concessão da BR-020 antecipada antes da modernização da BR-242, a Bahia enfrenta um risco à sua integridade territorial e econômica. O estado já perdeu influência em regiões do Extremo Sul para o Espírito Santo e na área de Juazeiro para Pernambuco. O Oeste baiano, historicamente distante, precisa de ações integradoras, mas o que se vê são movimentos que aprofundam o isolamento, sem base econômica sólida.
A mobilização da Bahia para defender seus interesses é insuficiente diante da articulação de poucos prefeitos goianos que conseguem mais avanços para Goiás do que os 42 parlamentares federais da Bahia. Exemplos como a união da bancada pernambucana para garantir ferrovia entre Salgueiro e o Porto de Suape mostram que é possível agir com efetividade.
Conclusão: A Urgência da Modernização da BR-242
A Bahia deve exigir a inclusão imediata da modernização da BR-242, no trecho Luís Eduardo Magalhães-Rafael Jambeiro, no programa federal de concessões. Caso a União alegue falta de recursos, é preciso que o governo federal assuma a execução direta, como tem feito em outros estados. No Ceará, por exemplo, a duplicação da BR-116 está sendo financiada com R$ 710 milhões do PAC.
A BR-242 não é apenas uma rodovia; é a espinha dorsal para o crescimento sustentável e a competitividade do Oeste baiano. Sua modernização é prioridade máxima para manter a produção agrícola, gerar empregos e fortalecer a economia regional. A Bahia não pode mais esperar. A BR-242 é urgente e estratégica para o futuro do estado.
