Um encontro para celebrar a cultura popular do Recôncavo Baiano
Na última sexta-feira (22), o Centro Cultural Dannemann, em São Félix, foi palco de uma celebração especial: o lançamento do livro multimídia trilíngue “Conectar Cultural – recôncavo da bahia“. A publicação reúne registros inéditos de cinco manifestações culturais premiadas pelo projeto Conectar Cultural, além de mais de 100 outras manifestações mapeadas na região. O evento contou com a presença de representantes culturais, pesquisadores, autoridades públicas e diversos fazedores de cultura locais, reforçando o compromisso com a valorização da memória e diversidade cultural do Recôncavo.
Histórias e memórias que ganham voz e forma
O livro, publicado em português, inglês e espanhol, materializa histórias, memórias, imagens e saberes que atravessam gerações. As manifestações premiadas — Samba do Machucador (Cruz das Almas), Nego Fugido (Santo Amaro), Associação dos Artesãos de Saubara, Sociedade Filarmônica União Sanfelixta (São Félix) e Articulação de Mulheres Negras e Quilombolas (Cachoeira) — puderam ver suas trajetórias retratadas em fotografias, entrevistas, conteúdos audiovisuais e relatos produzidos durante o processo de mapeamento cultural nas diversas cidades do Recôncavo.
Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia, ressaltou que o livro reforça a importância de investir na cultura como patrimônio vivo. “Conhecemos histórias profundamente conectadas à ancestralidade, à coletividade e à preservação da memória”, afirmou, destacando o compromisso da instituição com a diversidade cultural brasileira.
Rodrigo Barros, gerente de operação da Neoenergia Coelba, também enfatizou o impacto do projeto: “É motivo de muito orgulho ver como o Instituto Neoenergia contribuiu para manifestações que valorizam pessoas negras e mulheres batalhadoras, fortalecendo o desenvolvimento local da comunidade”.
Vozes e emoções que traduzem a força dos coletivos culturais
O lançamento foi marcado por depoimentos emocionados. Maria Abade, presidenta da Articulação de Mulheres Negras e Quilombolas do Quilombo Engenho da Ponte, falou sobre o reconhecimento que fortalece anos de trabalho coletivo. Para ela, o livro simboliza a construção e o associativismo que resistem há mais de uma década.
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Lenira Santiago, presidenta da Associação dos Artesãos de Saubara, celebrou a visibilidade que o livro oferece às rendeiras e trançadeiras de palha da cidade. “Saber que nossa história será conhecida no mundo todo é um orgulho para as artesãs e para toda a comunidade”, disse.
Telma Carvalho, representante do Samba do Machucador, destacou a importância de ver a trajetória do grupo registrada e traduzida em três idiomas. “Nosso nome e história ganharão espaço internacional, mostrando que o Recôncavo é berço de vivências e alegrias”, afirmou.
Reconhecimento e legado cultural em múltiplas línguas
Isabela Reis, coordenadora pedagógica do Nego Fugido, ressaltou que o livro vai além de uma conquista simbólica para a comunidade quilombola de Acupe. “Queremos que o Nego Fugido seja desmistificado e reconhecido como manifestação cultural legítima, não um elemento folclórico”, explicou.
Alan Freitas, presidente da Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, destacou a importância histórica da publicação para as filarmônicas do Recôncavo. “Ver nossa história contada em três idiomas é um reconhecimento que valoriza não apenas a instituição, mas todo o legado musical da região”, afirmou.
Parceria e circulação cultural fortalecem o Recôncavo Baiano
A cerimônia contou com a participação do prefeito de São Félix, José Geraldo Tosta Albergaria, da gestora do Conectar Cultural na Bahia, Neusa Martins, da antropóloga e pesquisadora Violeta Salazar, além de representantes de instituições parceiras como IPHAN, IPAC, FUNCEB, CCPI, UFRB, UFBA, UNEB, Fundação Hansen Bahia e Instituto Popular do Recôncavo.
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Fonte: novaimperatriz.com.br
Durante o evento, os representantes das manifestações premiadas foram convidados ao palco para receber exemplares do livro, momento que simbolizou a união das expressões culturais em torno da preservação da memória e valorização dos saberes ancestrais.
Fruto de uma parceria entre o Ministério da Cultura, Instituto Neoenergia e Instituto São Paulo de Arte e Cultura (ISPAC), com patrocínio da Neoenergia via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o Conectar Cultural destaca-se como um modelo inovador de valorização das culturas imateriais brasileiras. O projeto conta ainda com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SECULT), FUNCEB, IPAC, CCPI, IPHAN, UFBA, UFRB, UNEB, Fundação Hansen Bahia e Instituto Popular do Recôncavo.
Para encerrar a noite, os fazedores de cultura participaram de uma sessão de autógrafos ao som da Orquestra Baile União (Septeto), vinculada à Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, celebrando a diversidade cultural que pulsa no Recôncavo Baiano.
O livro “Conectar Cultural – Recôncavo da Bahia” está disponível gratuitamente no site www.conectarcultural.com.br, onde o público pode acessar a versão digital, o audiobook e solicitar o exemplar físico.
