Uma Nova Etapa na Gestão Cultural
A Fundação Cultural Palmares (FCP), que faz parte do Ministério da Cultura (MinC), deu um passo importante nesta sexta-feira (8), ao empossar o novo Conselho Curador da instituição para o período de 2026 a 2029, em uma cerimônia realizada em Brasília. O evento contou com a presença de autoridades do Governo Federal, líderes religiosos, intelectuais, artistas e representantes de movimentos sociais, todos engajados na luta contra o racismo no Brasil.
O Conselho Curador desempenhará um papel essencial na supervisão e orientação das ações da Fundação, visando o fortalecimento das políticas públicas voltadas para comunidades quilombolas, cultos de terreiro e outros grupos de expressão da cultura negra no país. Essa iniciativa reafirma o compromisso do Estado brasileiro em promover a equidade racial e valorizar as ricas tradições oriundas das culturas de matriz africana.
Durante o evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sublinhou que a revitalização da Fundação Cultural Palmares está alinhada ao esforço do governo em promover a reparação histórica e a justiça social. “A instalação deste Conselho Curador representa um legado que almejamos deixar para a cultura e o povo brasileiro. Nossa meta é fortalecer e consolidar a cultura como um vetor de desenvolvimento sustentável, inovação e justiça social. É a cultura que gera emprego, dignidade e emancipação para todos”, comentou a ministra.
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Margareth também enfatizou a importância de uma composição diversificada no colegiado e reiterou a necessidade de um diálogo constante com a sociedade na construção das políticas culturais.
“Esta ação carrega um significado profundo de reparação histórica. Este conselho não é apenas um fórum técnico, mas também um espaço de participação popular e compartilhamento de responsabilidades na gestão. Aqui, encontramos a cultura negra do Brasil, que se fortalece e se reconhece”, acrescentou.
Compromisso com a Diversidade
O presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, reforçou o caráter diversificado do novo conselho. Ele explicou que a formação do colegiado levou em conta a inclusão de representantes de diferentes gerações, trajetórias e áreas de atuação da sociedade civil negra. “Nosso objetivo era criar um conselho que refletisse diversidade, pluralidade e ancestralidade. Esses militantes desempenharão um papel crucial no direcionamento da Fundação, assegurando que o Ministério da Cultura, sob a liderança da ministra Margareth Menezes e do presidente Lula, continue a fortalecer a nossa democracia”, destacou.
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O novo Conselho Curador é composto por membros titulares e suplentes que representam tanto a sociedade civil quanto o poder público federal. Entre os titulares da sociedade civil estão Carlos Alves Moura, Ivair Augusto Alves dos Santos, Antônio Carlos Gomes Conceição, e outros destacados representantes. Entre os suplentes, encontram-se Maria Aparecida da Silva Bento e Maria da Conceição Evaristo de Brito, entre outros.
Além disso, o colegiado conta com a participação de representantes de órgãos federais, incluindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que trazem expertise e conhecimento técnico à mesa.
Um Novo Olhar sobre a Cultura
Em uma fala representativa, Carlos Alves Moura, primeiro presidente da Fundação, ressaltou a enorme responsabilidade do conselho na preservação da cultura afro-brasileira e na luta contra o racismo. “Temos um grande dever: construir caminhos para superar o racismo e garantir que a comunidade negra ocupe todos os espaços da sociedade brasileira. Criamos, ministra, uma comunidade cultural negra dentro da Palmares, que não se fecha, mas que se abre para a necessidade de inclusão de todos os brasileiros”, afirmou.
Caroline Dias dos Reis, representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, também comentou sobre a relevância do fortalecimento institucional da Fundação Cultural Palmares após períodos de desmonte nas políticas públicas. “Após anos de esvaziamento das iniciativas culturais e de direitos humanos, é simbólico vê-la ressurgir neste contexto democrático. A abolição da escravidão não significou, por si só, dignidade e cidadania plena para a população negra, e essa é uma luta que continua”, declarou.
Iniciativas para o Futuro
Na mesma cerimônia, foi apresentado o programa Palmares Qualifica, que visa fortalecer a formação de coletivos e agentes da cultura afro-brasileira. A iniciativa busca ampliar o acesso a recursos de fomento cultural e oferecer orientações sobre elaboração de projetos, acesso a editais e gestão de recursos públicos. Em uma parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), o programa se dedicará a fortalecer comunidades quilombolas, povos de terreiro e organizações da sociedade civil, contribuindo para a democratização dos mecanismos de incentivo à cultura brasileira.
