Desmembramento da Escola Politécnica: uma proposta controversa
A Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que celebrou 129 anos de história em 14 de março, enfrenta um momento crítico. A proposta de reestruturação da instituição, chamada de “Nova Politécnica”, prevê a divisão da escola em três unidades acadêmicas, além de uma separação para o pessoal técnico-administrativo. Essa medida, se aprovada, pode resultar na perda do status de uma das mais antigas e respeitadas faculdades de engenharia do Brasil.
Atualmente, a Escola Politécnica conta com 180 docentes permanentes, 68 servidores técnico-administrativos e mais de 3 mil estudantes distribuídos em 13 cursos de graduação, oito de mestrado e seis de doutorado, além de abrigar mais de 40 grupos de pesquisa. A proposta de desmembramento gerou polêmica, pois, embora a criação de novas unidades seja competência exclusiva do Conselho Universitário, a votação favorável ao projeto ocorreu por uma margem mínima na Congregação da escola, levantando questionamentos sobre a legitimidade deste processo.
Reações internas e defesa da unidade
Recentemente, um documento assinado por 17 dirigentes e coordenadores de cursos da Escola Politécnica foi divulgado, exigindo que o projeto seja reavaliado com maior transparência. Os signatários expressam sua preocupação com o fato de que, nas três votações internas sobre a proposta, o quociente eleitoral não ultrapassou 45%. Isso levanta questões sobre o apoio real à iniciativa.
O professor Daniel Véras, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia dos Materiais, argumenta que a divisão da Escola Politécnica não apenas representa um erro acadêmico, mas também parece ter motivações pessoais por trás. Ele destaca que as melhores escolas de engenharia do Brasil, como USP, UFRJ, UFMG e UFRGS, estão organizadas em uma única unidade acadêmica, o que poderia indicar que a proposta em questão é prejudicial ao fortalecimento da educação na área de engenharia.
Desafios e preocupações dos docentes
O professor Luiz Rogério de Andrade Lima acrescenta que a proposta parece uma tentativa de criar feudos por grupos que não se adaptam à diversidade das áreas de engenharia. Ele critica a atual gestão da unidade, afirmando que, em três anos e meio, não foram resolvidas as questões de infraestrutura e suporte que a escola enfrenta.
Uma pesquisa recente revelou que 92 docentes efetivos são contrários à divisão da escola, evidenciando a insatisfação generalizada. O documento assinala que essa mudança não só impactaria a estrutura acadêmica, mas também comprometeria a gestão financeira da instituição, um ponto sensível para a continuidade de suas atividades.
A resistência à mudança e a importância da história
O professor Lafayette Luz ressalta a importância de preservar a Escola Politécnica, mencionando problemas estruturais sérios no prédio atual e a inacabada construção de um anexo que deveria ter sido finalizado há uma década. Ele defende que é fundamental proteger esse patrimônio educacional, que data de sua fundação em 1897, no Pelourinho, e que representa um dos principais centros de ensino em engenharia da Bahia.
A proposta de desmembramento está atualmente sob análise de uma comissão do Conselho Universitário, e a expectativa é que as críticas e a impopularidade do projeto sejam levadas em consideração. O professor Véras espera que o projeto seja arquivado ou devolvido à comunidade para uma discussão mais abrangente e transparente, garantindo que a voz dos envolvidos seja ouvida nesse importante debate.
