Celebração dos 136 Anos do Arquivo Público da Bahia
No dia 5 de outubro, o Arquivo Público da Bahia (APEB) comemorou 136 anos de existência em uma cerimônia que contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores (PT). O evento foi marcado pela entrega de intervenções estruturais, além do anúncio de novos investimentos, destacando a relevante missão de preservar o patrimônio histórico da Bahia.
“Preservar a memória é um compromisso com o passado, mas também com o futuro. Garantir que esse prédio seja definitivamente do Estado é proteger um patrimônio que pertence ao povo baiano. E o reconhecimento da Unesco mostra que o que está guardado aqui tem importância para o mundo”, afirmou o governador Rodrigues, ressaltando a relevância da instituição na preservação da história.
Reconhecimento da Unesco e Importância do Acervo
A celebração não se limitou apenas aos 136 anos, mas também incluiu um significativo reconhecimento regional concedido pela Unesco, através do Programa Memória do Mundo. A coleção intitulada *Passaportes de Escravizados, Libertos, Livres e Africanos (1821–1889)*, que faz parte do acervo colonial do Arquivo Público, foi inserida no Registro Regional da América Latina e Caribe. Este conjunto documental é considerado essencial para estudos sobre o período escravocrata, promovendo assim uma visão mais apurada dessa parte da história.
Com essa inclusão, o Arquivo Público da Bahia se torna a primeira instituição baiana a alcançar essa etapa regional, abrindo caminho para a disputa pelo reconhecimento em nível global. Essa conquista é um reflexo da dedicação e do comprometimento em preservar a memória coletiva do povo baiano.
Segurança Legal e Investimentos em Digitalização
A proteção do acervo também recebeu um importante reforço com a conclusão de uma ação judicial que envolve o edifício-sede do Arquivo, situado no Solar da Quinta, um imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1949. A Justiça homologou um acordo que reconhece o pagamento integral de R$ 8 milhões, evitando a possibilidade de leilão e garantindo a permanência do Arquivo em sua sede histórica, um marco para a conservação do patrimônio público.
No que diz respeito à modernização, foi criado um Laboratório de Digitalização por meio de um convênio com o Ministério da Cultura, que recebeu um investimento de R$ 100 mil. Esse laboratório foi equipado com câmeras profissionais, scanners planetários A3, computadores de alta performance e notebooks, visando facilitar o acesso digital ao acervo.
Após um período de fechamento em 2019 devido a obras, o Arquivo Público retomou suas atividades em janeiro de 2020 e agora permanece aberto ao público, permitindo que mais pessoas tenham acesso à sua vasta coleção de documentos históricos.
Novo PAC e Projetos de Restauração
Durante a cerimônia de celebração, também foram anunciadas novas autorizações dentro do escopo do Novo PAC, que visa abrir processos licitatórios para a elaboração de projetos de restauração de importantes espaços históricos e culturais do estado. Essa ação envolve uma parceria entre o Ministério da Cultura, a Secretaria de Cultura do Estado e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
Alguns dos imóveis que serão contemplados incluem a Faculdade de Medicina da Bahia, o Convento de Santa Clara do Desterro, o Ilê Maroia Laji (Terreiro do Alaketu), além da Casa do Samba de Santo Amaro e a Casa Berquó e Sete Candeeiros, onde será implantado o Centro de Referência do Patrimônio. Essas autorizações visam ampliar as políticas de preservação, reforçando o compromisso do Estado com a valorização da cultura e da memória baiana.
