Oportunidades para Magalu diante da crise nas Casas Bahia
As dificuldades enfrentadas pelas Casas Bahia, especialmente após o pedido de recuperação judicial, podem abrir espaço para concorrentes como o Magalu. O Itaú BBA observa que empresas em recuperação judicial tendem a enfrentar restrições para compras a prazo junto aos fornecedores, o que limita a variedade e disponibilidade de produtos nas lojas. Essa situação cria uma oportunidade para que rivais ampliem sua oferta e conquistem mais clientes.
Segundo o banco, o Magalu deve apresentar crescimento nas vendas físicas, estimado na faixa superior de 10% em setembro, o primeiro mês completo após o anúncio da recuperação judicial das Casas Bahia. Essa projeção ainda será avaliada com os resultados oficiais da companhia, mas indica um movimento de ganho de participação no mercado varejista.
Expansão nas vendas online e impacto financeiro
O Magalu também aposta no comércio eletrônico para ampliar sua presença. De acordo com acompanhamento próprio do Itaú, o Magalu teria realizado cerca de 330 mil vendas no Mercado Livre desde sua estreia na plataforma, em 2 de setembro. Essa média diária supera em aproximadamente 25% a performance das Casas Bahia desde que entraram no marketplace, em novembro de 2025.
Leia também: Casas Bahia: Da liderança no varejo à recuperação judicial com dívidas bilionárias
Leia também: Bancos e Fabricantes de Eletrônicos Lideram Dívidas da Casas Bahia em Recuperação Judicial
Vender em marketplaces envolve custos, como comissões que reduzem margens, mas permite economia em publicidade e financiamento de vendas. O balanço entre essas despesas e ganhos é fundamental para a rentabilidade do Magalu.
Juros e desafios de fluxo de caixa
Outro fator relevante é a redução dos juros, que pode impulsionar os lucros do Magalu. A empresa depende de financiamentos para suas vendas e costuma antecipar recebíveis, o que implica custos financeiros. O Itaú destaca que cada queda de 1 ponto percentual na taxa de juros pode elevar em cerca de 11% o lucro por ação estimado.
Porém, crescer não significa automaticamente reduzir dívidas. O maior desafio está em transformar o aumento das vendas em caixa disponível para sustentar estoques e prazos de pagamento. A valorização sustentável das ações depende da capacidade do Magalu de manter crescimento, gerar caixa e oferecer retorno consistente sobre o capital investido.
Leia também: Recuperação judicial das Casas Bahia: entenda direitos e obrigações dos consumidores
Leia também: Casas Bahia enfrenta recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões
Riscos e recomendações do Itaú BBA
Apesar das perspectivas positivas, a concorrência segue como um fator de atenção no longo prazo. O Itaú BBA aponta riscos como uma possível reversão na queda dos juros, restrições no crédito e a estabilização das operações da Casas Bahia. Esses aspectos podem tornar a conquista de clientes mais lenta ou menos lucrativa do que o esperado.
O banco elevou sua recomendação para outperform em relação ao Magalu e ajustou o preço-alvo para R$ 16 ao final de 2027, o que representa uma valorização potencial de cerca de 31% em relação à cotação de R$ 12,22 usada no relatório. A classificação anterior não foi detalhada no material divulgado aos investidores.
