Trajetória econômica da Bahia entre 2007 e 2027
Desde o início do governo Jaques Wagner, em 2007, até a atual gestão de Jerônimo Rodrigues, a economia baiana passou por transformações marcantes. O Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia subiu de R$ 109,7 bilhões para R$ 536,7 bilhões em 2025, enquanto o orçamento estadual avançou de R$ 17,6 bilhões para R$ 77,4 bilhões em 2026, com previsão de alcançar R$ 90,9 bilhões em 2027, caso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) seja aprovado nos valores propostos. Contudo, esses números nominais refletem também o impacto da inflação, crises econômicas e mudanças nas metodologias de cálculo, exigindo análises cuidadosas para entender o crescimento real da economia.
Os três ciclos políticos que moldaram a economia estadual
O período abrange as gestões de Jaques Wagner (2007-2014), Rui Costa (2015-2022) e Jerônimo Rodrigues (2023 em diante). A variação do PIB e do orçamento não pode ser atribuída exclusivamente a cada governo, pois fatores externos como o crescimento do Brasil, taxas de juros, câmbio, crises internacionais e até condições climáticas influenciaram significativamente a atividade econômica da Bahia. Além disso, o orçamento inicial de cada governo geralmente é elaborado pela gestão anterior, impactando comparações entre os períodos.
Crescimento e desafios no governo Jaques Wagner
Em 2007, o PIB da Bahia era estimado em R$ 109,7 bilhões, com crescimento real de 4,9% naquele ano. Até 2014, o PIB chegou a R$ 223,9 bilhões, crescimento nominal de 104,2%, mas com avanço real acumulado próximo a 27%, considerando variações anuais. A crise financeira internacional de 2009 causou retração, mas a economia recuperou ritmo nos anos seguintes. O orçamento estadual também praticamente dobrou, passando de R$ 17,6 bilhões para cerca de R$ 36,9 bilhões em valores nominais, refletindo inflação e aumento de preços.
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Recessão, pandemia e recuperação na gestão Rui Costa
O governo Rui Costa começou em meio à recessão nacional de 2015-2016. O PIB baiano caiu 3,4% em 2015 e 6,2% em 2016, estabilizando em 2017. A recuperação foi gradual, com crescimento de 2,3% em 2018 e 0,8% em 2019. A pandemia de Covid-19 impactou fortemente a economia em 2020, com retração de 4,4%. A retomada veio em 2021 e 2022, com expansões de 3,0% e 4,2%, respectivamente. Apesar do avanço nominal do PIB de 64,3% entre 2015 e 2022, o crescimento real acumulado foi negativo, em virtude dos choques econômicos. O orçamento passou de R$ 39 bilhões para R$ 53,8 bilhões nesse período, com crescimento nominal de 37,8%.
Retomada e crescimento sob Jerônimo Rodrigues
No primeiro ano da gestão Jerônimo Rodrigues, em 2023, o PIB da Bahia atingiu R$ 431 bilhões, com crescimento real de 2,3%. As estimativas para 2024 e 2025 indicam avanços de 2,8% e 2,7%, elevando o PIB nominal para R$ 536,7 bilhões. O crescimento real acumulado nesses três anos é de aproximadamente 8%, enquanto o orçamento estadual, elaborado integralmente pela atual gestão a partir de 2024, passou de R$ 62,6 bilhões para R$ 77,4 bilhões em 2026, e pode chegar a R$ 90,9 bilhões em 2027, conforme proposta do PLOA encaminhado à Assembleia Legislativa da Bahia.
Diferentes dinâmicas entre PIB e orçamento estadual
A comparação entre PIB e orçamento revela trajetórias distintas. O PIB corrente da Bahia cresceu cerca de 389% de 2007 a 2025, enquanto o orçamento passou de R$ 17,6 bilhões para um possível R$ 90,9 bilhões em 2027. No entanto, essas expansões nominais não refletem diretamente o aumento da capacidade real de produção ou gasto, pois a inflação e outros fatores influenciam os valores. Análises mais precisas exigiriam o ajuste dos valores pela inflação e o acompanhamento da execução orçamentária.
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Mudanças na estrutura econômica baiana
A composição do PIB também se alterou ao longo dos anos. Em 2010, a agropecuária representava 7,9% da economia estadual, a indústria 27,1% e os serviços, incluindo comércio, 65%. Em 2023, a agropecuária cresceu para 10,4%, a indústria caiu para 25,1%, e os serviços mantiveram cerca de 64,5%. Essas mudanças indicam variações no peso dos setores, influenciando a dinâmica econômica e os impactos de fenômenos como secas, safras agrícolas e ciclos industriais.
Desaceleração em 2026 e perspectivas para o futuro
Os dados do primeiro semestre de 2026 mostram crescimento mais modesto, com expansão de 1,3% no acumulado de janeiro a junho e 2,3% no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. A agropecuária e os serviços cresceram, enquanto a indústria sofreu retração. O desempenho final do ano dependerá dos resultados dos últimos dois trimestres. A expectativa é que o orçamento continue em expansão, com destaque para a área social e investimentos previstos no PLOA 2027, que podem impulsionar a atividade econômica e geração de empregos na Bahia.
