Impactos do Atraso na Infraestrutura Ferroviária
Desde o início de 2025, acompanho de perto um conjunto de projetos essenciais para a infraestrutura da Bahia que estão parados na burocracia de Brasília. Não se trata de planos para o futuro, mas da recuperação de condições já existentes e fundamentais para reativar o desenvolvimento econômico do estado. Diante da estagnação, denominei essa lista de prioridades como “agenda de expectativas”. Contudo, até o momento, nenhum avanço decisivo foi registrado.
O principal entrave está na ligação entre a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que poderia transformar a geografia econômica do país. Essa conexão ainda depende da concessão da Fiol I, trecho Ilhéus-Caetité, e do Porto Sul, cuja liberação permanece travada. A Fiol II, trecho Caetité-Barreiras, em execução pela Infra, prevista para ser concluída em 2027, sofre atrasos alinhados ao da Fiol I, o que nivela o cronograma para baixo, comprometendo a economia regional.
Renovações e Concessões Rodoviárias: Um Cenário de Incertezas
Outro ponto crítico é a concessão da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), que expirou em 30 de abril, sem que a renovação antecipada fosse concluída. A alternativa encontrada foi estender a concessão por mais dois anos, uma medida paliativa que adia a resolução definitiva do problema. A única novidade foi a inclusão da antiga Linha Sul, no trecho Corinto (MG)-Campo Formoso (BA), agora chamada Ferrovia Minas-Bahia, na renovação.
No setor rodoviário, a concessão da Via Bahia foi rescindida em maio, com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) assumindo temporariamente a gestão das rodovias BR-116 Sul (Feira de Santana-Divisa BA-MG) e BR-324 (Feira-Salvador). A nova licitação, denominada Corredor 2 de Julho, era esperada para dezembro, mas foi adiada para 2027. As obras de modernização da BR-324 só devem começar dois anos após a assinatura do contrato e terão duração de três anos, o que projeta para 2032 a normalização do tráfego nessa via.
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Fonte: atividadenews.com.br
Prioridades e Negligências na Logística Baiana
Enquanto isso, a concessão da Rota dos Sertões, abrangendo a BR-116 Norte, trecho Feira de Santana a Salgueiro (PE), foi priorizada com leilão realizado em maio. Essa decisão levanta questionamentos, dado o menor fluxo de veículos e a desconsideração do polo de Juazeiro/Petrolina, o maior polo de fruticultura irrigada do país.
Além disso, projetos fundamentais como a concessão da BR-101 (Rio-Bahia litorânea) e a inclusão da BR-242 (de Luís Eduardo Magalhães a Rafael Jambeiro) no programa de concessões sequer avançaram. Ao contrário, há movimentações para conceder a BR-020, de Luís Eduardo Magalhães a Brasília, que inclui o trecho da BR-242 até Barreiras, o que reforça o isolamento logístico da Bahia.
Portos e Hidrovias: Alternativas Limitadas ao Isolamento
No transporte fluvial, a Hidrovia do Rio São Francisco tem sido alvo de discussões para reativação, com autorização para estudos preliminares, mas sem delegação efetiva à Codeba até o momento.
Nos portos, investimentos privados ampliam o Tecon-Salvador, único terminal de contêineres da Baía de Todos os Santos, agora controlado pela MSC. O terminal de granéis sólidos do Porto de Aratu foi adquirido pela filipina ICTSI, marcando a entrada de um terceiro player internacional no Complexo Portuário da BTS. Antes, a Acelen, do grupo Mubadala, modernizou o Temadre, especializado em granéis líquidos.
Esses avanços portuários atuam como válvulas de escape para o isolamento logístico da Bahia, mas beneficiam principalmente a Região Metropolitana e o Polo Petroquímico, pois não há integração ferroviária nem mesmo rodoviária adequada. Uma tentativa de concessão parcial da Codeba foi abandonada por inconsistência.
Um Ano de Expectativas Não Realizadas
Até agora, as expectativas para 2025 não se concretizaram. Projetos essenciais permanecem sem definição e contratação. A agenda desenhada, estendida para 2026, ainda está em aberto, enquanto a Bahia sofre com atrasos que comprometem sua competitividade.
Esse cenário ganha ainda mais urgência diante da reforma tributária, que extinguirá em 2033 os incentivos fiscais estaduais. Sem infraestrutura adequada, a Bahia perde força para atrair investimentos e expandir sua economia.
Enquanto isso, a esfinge que simboliza esses desafios permanece, devorando as chances da Bahia de avançar economicamente e sair do isolamento que ameaça seu crescimento.
