Manifesto dos artistas de Juazeiro por transparência na cultura
Artistas, produtores e agentes culturais de Juazeiro, no norte da Bahia, uniram suas vozes em uma carta aberta ao prefeito Andrei Gonçalves. Eles expressam inquietação com a condução da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) no município, pedindo uma gestão que respeite a classe artística e assegure transparência na execução dos recursos públicos destinados à cultura local.
O texto ressalta que o questionamento não é contra os artistas contemplados, mas contra o processo adotado, que apresenta falhas, ausência de respostas e falta de transparência. Desde o início, a classe artística apoiou a campanha do prefeito na expectativa de renovação, mas percebe um cenário repetitivo em relação à gestão anterior.
Principais questionamentos sobre o edital e a execução da PNAB
Entre os pontos destacados na carta, há críticas à ausência de um processo adequado de heteroidentificação, que gerou dúvidas sobre autodeclarações de pessoas negras e indígenas. Além disso, a documentação exigida para pessoas com deficiência foi considerada insuficiente por alguns participantes.
Também houve projetos desclassificados e redução de notas sem justificativas claras. O Instituto Trocando Ideias, responsável pela execução da PNAB, não teria respondido satisfatoriamente às dúvidas apresentadas, e a Secretaria de Cultura parece não contar com equipe técnica suficiente para prestar esclarecimentos à classe artística.
Outra preocupação refere-se às avaliações dos pareceristas, que exibem semelhanças suspeitas e que precisam ser investigadas. Nenhum recurso apresentado teria sido acolhido, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da fase recursal. Ainda, pessoas de Petrolina teriam participado e sido classificadas em Juazeiro, situação que requer esclarecimento à luz das regras do edital.
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O mais alarmante é que, segundo levantamento da classe artística, mais de R$ 600 mil permanecem sem destinação clara, apesar de recursos estarem oficialmente disponíveis para a cultura local. A pergunta central é simples: se há dinheiro para cultura, por que os artistas não estão recebendo?
Instituto Trocando Ideias sob questionamento e necessidade de equipe técnica na Secretaria de Cultura
O instituto responsável pela execução da PNAB em Juazeiro não está livre de críticas. Embora não se faça alegações diretas de irregularidades no município, o histórico da instituição em outros estados, como Rio Grande do Sul e Tocantins, onde enfrentou questionamentos sobre gestão de recursos e capacidade operacional, gera preocupação.
A carta solicita esclarecimentos sobre os critérios de contratação do Instituto, sua capacidade técnica, os integrantes das avaliações e como a Prefeitura fiscalizou todo o processo. O pedido é claro: respostas objetivas, não acusações infundadas.
Além disso, a Secretaria de Cultura é apontada como deficitária em termos de equipe técnica capacitada para administrar os recursos públicos da PNAB. A gestão da cultura requer profissionais preparados para atender os artistas, prestar esclarecimentos e garantir a transparência. A promessa de uma gestão mais técnica feita durante a campanha ainda aguarda cumprimento.
Reconhecimento histórico e revisão do processo sem prejuízo a contemplados
O manifesto também destaca a importância de valorizar artistas que construíram a cultura de Juazeiro ao longo dos anos, como Geraldo Pontes, responsável pelo Concurso Victor-Victoria por cerca de 35 anos, que ficou fora da premiação. A crítica não é contra os contemplados, mas contra a ausência de reconhecimento a agentes culturais históricos.
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O apelo final é por uma revisão técnica do processo, com transparência nas avaliações, nos recursos remanescentes e na convocação de suplentes regulares. A classe artística não quer retirar direitos de ninguém, mas assegurar que todos tenham seus direitos respeitados e que os recursos públicos sejam usados integralmente para beneficiar a cultura local.
Próximos passos e apelo à gestão municipal
Os artistas já buscaram o Ministério Público para que os questionamentos sejam apurados. Solicitam ainda a divulgação dos nomes e qualificações dos pareceristas, para garantir a legitimidade das avaliações, respeitando os limites legais de publicidade.
A ausência de um Conselho de Cultura atuante é outro desafio destacado, o que reforça a necessidade de organização da classe para fortalecer a participação social na gestão cultural.
Para dar visibilidade a essas demandas, está prevista uma manifestação pacífica em frente ao gabinete do prefeito, reforçando o desejo de diálogo e respeito, longe de confrontos.
O manifesto encerra com um apelo direto ao prefeito Andrei Gonçalves: há tempo para implementar a mudança prometida, garantindo uma gestão técnica, transparente e respeitosa com a cultura de Juazeiro. A cultura local espera ser ouvida e valorizada, pois é parte essencial da identidade da cidade e merece atenção comprometida.
