Investigação e Suspeitas de Conivência
O Ministério Público da Bahia está em processo de investigação contra o ex-deputado federal Geddel Vieira Lima (MDB), sob a suspeita de que ele teria recebido uma propina de R$ 1 milhão. Essa quantia estaria relacionada a um plano que resultou na fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, considerado uma figura de liderança do Primeiro Comando de Eunápolis, uma facção ligada ao Comando Vermelho no sul do estado.
A Operação Duas Rosas foi iniciada na quinta-feira, 16, e seu nome remete ao valor que, supostamente, foi pago a Uldurico Júnior. Ele foi preso em um hotel na Praia do Forte, e durante interações com Joneuma, uma das envolvidas no esquema, Uldurico sugeriu que metade de uma propina total de R$ 2 milhões para concretizar a fuga teria como destino Geddel. Em resposta a essas descobertas, o Ministério Público instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as alegações envolvendo a conexão de Geddel com Uldurico e verificar se ele realmente se beneficiou dessa divisão de valores.
Histórico Controverso de Geddel
O ex-ministro já tem um histórico criminal que inclui a Operação Tesouro Perdido, que em setembro de 2017 revelou a existência de R$ 51 milhões em dinheiro em um apartamento que Geddel alugara em Salvador. As autoridades encontraram cédulas em diversas quantias, somando R$ 42,6 milhões em reais e US$ 2,7 milhões em dólares, acondicionadas em malas, caixas e até espalhadas pelo chão. A Polícia Federal levou três dias para contar essa quantia impressionante, cuja origem nunca foi esclarecida pelo ex-parlamentar.
Geddel foi formalmente acusado de lavagem de dinheiro e recebeu uma condenação de 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a investigação indicando que o apartamento servia como um “bunker” para ocultar propinas. Impressões digitais de Geddel foram encontradas nas notas e nas malas que continham o dinheiro.
Novas Revelações na Operação Duas Rosas
Quase uma década após os eventos anteriores, Geddel novamente se vê envolvido em uma investigação, desta vez por meio da Operação Duas Rosas. A Promotoria identificou que a palavra “rosa” era usada em conversas para referir-se de forma codificada ao dinheiro. Termos como “as rosas” e “quando as rosas vão chorar” faziam parte do vocabulário utilizado nas tratativas que envolviam o pagamento de valores.
Os promotores do Gaeco, encarregados de investigar o crime organizado, revelaram que Joneuma, que foi indicada por Uldurico Júnior para liderar o presídio, possibilitava regalias para os internos envolvidos com o Primeiro Comando de Eunápolis, sob a liderança de “Dadá”. Entre os privilégios concedidos, estavam acesso a eletrodomésticos, refeições diferenciadas e até realização de velórios dentro do presídio.
Detalhes da Fuga e Delação Premiada
Durante o tempo em que Joneuma gerenciou o presídio, o ex-deputado visitou a unidade repetidamente, e esses encontros não eram registrados formalmente. Nesses encontros, Geddel se reunia com “Dadá”, como indicam os relatórios dos promotores.
Conforme as investigações da Operação Duas Rosas avançam, foi descoberto que uma primeira parcela da propina para Uldurico Júnior, no valor de R$ 200 mil, foi supostamente entregue ao ex-deputado em uma caixa de sapatos.
Com a pressão das autoridades, Joneuma optou por firmar um acordo de delação premiada, disponibilizando informações sobre o esquema. Em troca de uma pena reduzida, ela revelou detalhes sobre a fuga de “Dadá” e como as negociações estavam sendo conduzidas. Em 20 de dezembro de 2024, Joneuma encontrou Uldurico em um hotel, e ele a teria ameaçado, caso ela revelasse algo sobre os eventos que ocorreram.
Mensagens Codificadas e Pressões
Uldurico também enviou mensagens para Joneuma, aparentemente sobre Geddel, onde questionava: “Você achou oq? Rosa chora quando? Amanhã o chefe quer falar.” As mensagens, segundo a Promotoria, evidenciam uma tentativa de Uldurico de distorcer a narrativa da fuga, tentando passar a responsabilidade para outros e afastar suas próprias ligações com o caso.
As mensagens extraídas do celular de Joneuma indicam um padrão de pressão contínua de Uldurico, que utilizava a expressão “chorar as rosas” para se referir ao pagamento da propina restante. Caso a situação não fosse resolvida, ele expressou-se em termos preocupantes, indicando que sua segurança poderia estar ameaçada.
