Confronto no Morro Dois Irmãos
Um intenso tiroteio no morro Dois Irmãos, localizado no Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro, deixou cerca de 200 turistas isolados na manhã de hoje. A situação ocorreu durante uma operação policial que visava capturar os traficantes Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, e Wallas Souza Soares, apelidado de Patola. A troca de tiros entre os agentes de segurança e membros do Comando Vermelho (CV), facção que controla a área, impediu que os visitantes, de várias nacionalidades, conseguissem descer do morro, levando-os a se refugiar em um local que, teoricamente, era seguro.
A Operação Duas Rosas II foi deflagrada com a participação de policiais do estado do Rio de Janeiro e da Bahia, além do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O objetivo era localizar e prender 13 fugitivos do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia, que teriam encontrado abrigo nas favelas cariocas sob a proteção do CV. Esses criminosos pertencem ao grupo Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), uma organização que atua no sul da Bahia e está associada ao CV.
Prisões e Fugas Durante a Operação
No decurso da operação, foi presa Núbia Santos Oliveira, esposa de Patola e apontada como uma das principais operadoras financeiras do PCE. Ela enfrenta investigações por lavagem de dinheiro e possui dois mandados de prisão em aberto relacionados a tráfico de drogas e homicídio. Além dela, mais dois homens foram detidos e armas e drogas foram apreendidas. Dada, no entanto, conseguiu escapar por uma passagem secreta, iludindo os agentes.
Em decorrência da operação, a Avenida Niemeyer, que conecta os bairros São Conrado e Leblon, teve a circulação interrompida por criminosos que obstruíram a via com um ônibus e lixeiras. Somente por volta das 7h20, quando a situação foi controlada, os turistas puderam deixar o local sem maiores incidentes.
Depoimentos de Turistas em Situação de Risco
Matilda Oliveira, uma turista portuguesa, esteve entre os que ficaram isolados e destacou a importância da orientação dos guias durante o tumulto. “Esperamos o nascer do sol, mas, de repente, os guias pediram que nos sentássemos e começamos a ouvir os tiros. É sempre assustador, mas, dentro do possível, a situação estava controlada”, comentou, garantindo que recomendaria a trilha e retornaria ao Brasil.
Por outro lado, Sthefanny Andrade, uma turista de São Paulo, revelou que ficou muito apreensiva. “A trilha é conhecida e normalmente tranquila. Fomos para ver o amanhecer, mas quando estávamos nos preparando para descer, ouvimos os tiros e helicópteros. Um guia nos avisou sobre a operação e pediu que ninguém se movesse”, relatou.
Histórico de Fugas do PCE
Os traficantes que a Operação Duas Rosas II pretendia capturar haviam fugido em 12 de dezembro de 2024, quando um grupo armado invadiu o Conjunto Penal de Eunápolis para libertar Dada, o líder do PCE. Apesar da resistência dos agentes, os criminosos conseguiram abrir duas celas e, no total, 16 detentos escaparam.
De acordo com o MP-BA, Dada havia negociado sua fuga com o ex-deputado federal Uldurico Júnior, que foi preso em 17 de abril na Praia do Forte, um conhecido destino turístico na Bahia. O traficante teria pago R$ 2 milhões ao político para facilitar sua saída. O Ministério Público da Bahia pediu a prisão de ambos.
Joneuma Silva Neres, a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, também foi presa. Ela fez um acordo de delação premiada e confessou que teve um relacionamento amoroso com Uldorico Júnior, além de ter sido convencida a apresentá-lo a Dada. O traficante precisava de dinheiro para saldar dívidas de sua campanha política fracassada para a Prefeitura de Teixeira de Freitas.
A defesa de Uldorico Júnior negou qualquer envolvimento na fuga, afirmando que ele não tinha conhecimento de nenhum plano e que está colaborando com a Justiça para esclarecer os fatos.
