Conflitos na Eleição do Sindicato dos Médicos da Bahia
A eleição para definir a nova diretoria do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA), marcada para a próxima segunda-feira (29), está envolta em controvérsias. A chapa liderada pelo médico Júlio Braga acusa a comissão provisória que conduz o processo eleitoral de favorecer a chapa adversária, liderada por Tiago Almeida. As denúncias envolvem a permanência de candidatos considerados inelegíveis e o possível uso irregular de dados pessoais para propaganda eleitoral.
Questionamentos Sobre a Comissão Provisória e a Elegibilidade
Marcelo Galvão, candidato a vice-presidente na chapa de Júlio Braga, destaca que a comissão provisória foi formada majoritariamente por membros da oposição, o que teria dificultado a participação presencial de médicos da chapa de Braga na eleição que escolheu a comissão. Ele ressalta que a ata notarial, base para a primeira ação judicial da oposição, foi elaborada por um integrante da atual comissão eleitoral, levantando dúvidas sobre a imparcialidade do órgão.
Além disso, Galvão aponta que dois integrantes da chapa adversária, Humberto Barreto de Jesus e Wagner Oliveira Bonfim, não cumpriram requisitos estatutários para disputar a eleição. Ambos teriam se sindicalizado após o prazo limite de 30 de outubro de 2025, exigido pelo estatuto para serem elegíveis. Mesmo com o pedido de impugnação apresentado pela chapa de Júlio Braga, a comissão provisória rejeitou a contestação sob a justificativa de que o processo eleitoral vive uma situação excepcional.
Entretanto, a Justiça do Trabalho interveio e, em liminar, reconheceu a inelegibilidade dos dois candidatos, determinando sua exclusão da chapa adversária. Em resposta, a comissão provisória substituiu os candidatos por suplentes, o que, segundo a chapa de Júlio Braga, contraria o artigo 17 da resolução que rege o pleito, pois candidatos impugnados não podem ser substituídos e a chapa deve ter todas as vagas preenchidas no momento do registro.
Repercussão e Posicionamento Oficial
Para a chapa de Júlio Braga, a substituição torna irregular a candidatura de Tiago Almeida, colocando em dúvida a legitimidade da disputa que será realizada em 29 de junho. Em nota oficial, a comissão provisória negou qualquer parcialidade e afirmou manter-se “equidistante de ambas as chapas concorrentes”. A comissão ainda ressaltou que não houve violação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no compartilhamento de informações eleitorais.
Suspeitas de Uso Indevido de Dados Pessoais
Outra denúncia feita por Marcelo Galvão envolve o uso indevido de dados pessoais de médicos sindicalizados para o envio de mensagens de campanha via WhatsApp. Segundo relatos, profissionais da categoria receberam propaganda eleitoral da chapa adversária sem consentimento. Ao contatar o número que fez os disparos, uma funcionária da empresa de marketing teria confirmado que os contatos foram fornecidos pelo próprio sindicato.
Essa declaração levanta suspeitas de violação da LGPD. A comissão provisória, porém, negou as acusações, informando que a divulgação da lista de votantes é feita de forma a preservar dados confidenciais e que não inclui informações sensíveis como telefones ou e-mails dos sindicalizados.
Próximos Passos na Disputa
Com a eleição marcada para o próximo dia 29, o cenário permanece tenso, com questionamentos sobre a legalidade do processo e a legitimidade das candidaturas. A decisão judicial que excluiu os candidatos inelegíveis e a postura da comissão provisória serão determinantes para o desfecho do pleito. A eleição no Sindimed-BA segue como um caso emblemático das disputas internas que impactam diretamente a representação dos médicos baianos e a gestão da entidade.
