Operação Duas Rosas: A prisão que agita a política baiana
O ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, afiliado ao MDB, foi detido na última quinta-feira, 16, em um hotel na cidade de Mata de São João, sob a acusação de ter recebido uma quantia de 2 milhões de reais do Comando Vermelho. Segundo as investigações, essa quantia teria sido paga em troca da facilitação da fuga de membros da facção de um presídio localizado em Eunápolis, a cerca de 465 quilômetros de Salvador.
Durante o episódio, dezesseis internos conseguiram escapar da unidade prisional, entre eles, Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dadá, que é considerado um dos líderes do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), uma organização criminosa com forte atuação na região e vínculos com o Comando Vermelho. As investigações estão sendo conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, do Ministério Público da Bahia.
A defesa de Uldurico Alencar Pinto nega as acusações, argumentando que ele é alvo de uma perseguição política em um ano eleitoral. Em complementação à prisão do ex-deputado, agentes do Gaeco e da Polícia Civil cumpriram três mandados de busca e apreensão nas cidades de Teixeira de Freitas e Salvador. A operação, denominada Duas Rosas, faz alusão à maneira como os membros da organização criminosa se referiam às vantagens ilícitas que obtinham.
Os investigadores afirmam que a fuga dos presidiários não ocorreu de maneira aleatória, mas sim dentro de um “contexto de articulação criminosa estruturada”. Isso envolveria a colaboração de integrantes da facção PCE e do ex-deputado, com um uso indevido de influência política e institucional.
Relações suspeitas
Uldurico Alencar Pinto possui laços estreitos com Joneuma Silva Neres, ex-diretora do presídio de Eunápolis, que foi indicada por ele e atualmente está sob investigação por suspeita de ter facilitado a fuga dos internos. Segundo as apurações, Joneuma mantinha um relacionamento com Dadá e organizava encontros entre o líder da facção e o ex-deputado, o que levanta ainda mais questões sobre a profundidade da implicação de Uldurico no esquema.
Atualmente, a maioria dos fugitivos do Complexo Penal de Eunápolis continua foragida, incluindo o próprio Dadá. Há suspeitas de que ele esteja escondido no Rio de Janeiro, de onde supostamente continua a comandar a facção.
