Desafios da Iluminação em Paradas de Ônibus
No Distrito Federal, diversas paradas de ônibus enfrentam a falta de iluminação adequada, tornando a espera por transporte um momento de insegurança para muitos moradores. Relatos de motoristas que não conseguem ver os passageiros e de mulheres que evitam se aproximar das linhas de proteção revelam uma realidade alarmante. A Lei 7.793/25, que visa garantir a iluminação em abrigos, passarelas e faixas de pedestres, foi aprovada como uma medida de resposta, mas sua efetividade depende da ação das concessionárias e da finalização das obras nas vias.
O jornal acompanhou a rotina de usuários que esperam por ônibus em locais como a DF-095, na Vicente Pires, e no Guará II. Nesses pontos, moradores destacam o aumento da vulnerabilidade, especialmente para as mulheres, ao transitar entre a parada e o local de embarque. Estudos indicam que a escuridão não só intensifica o medo, mas também aumenta a chance de que os motoristas não percebam a presença de quem aguarda o coletivo.
Wendel de Oliveira, de 23 anos, que trabalha em Vicente Pires, compartilha sua experiência. Ele destaca que a espera em torno das 19h é marcada pela insegurança: “A iluminação é inexistente e muitos motoristas não enxergam quem está na parada. Em algumas ocasiões, a única maneira de ser visto é acendendo a lanterna do celular, mas mesmo assim, diversos motoristas só conseguem notar quando já é tarde demais”, conta.
A Realidade do Guará II e o Impacto da Escuridão
No Guará II, Mônica Caetano, de 31 anos, e Luana Mates, de 32, aguardam o ônibus à noite em meio à escuridão. A falta de iluminação, com postes apagados há mais de um mês, acentua a sensação de desolação ao redor do ponto. “A falta de luz torna o caminho para casa ainda mais perigoso, especialmente como mulher. O trajeto se torna deserto e a sensação de insegurança aumenta”, relata Luana.
Ela ainda acrescenta que já se sentiu intimidada em situações anteriores: “Já fui abordada e quase forçada a ajudar alguém para não ser importunada. Estou sozinha e, por precaução, acabo cedendo por medo de algo pior.” A situação se agrava nos fins de semana, quando o movimento de carros e pessoas diminui, intensificando o medo. “Às vezes, parece que sou a única na parada, cercada por homens. Fico sempre mais afastada, como forma de proteção”, afirma Luana.
Na área central de Brasília, as obras na via Epig também estão transformando os pontos de espera em locais sem iluminação. Raquel Sampaio, de 34 anos, comenta que a iluminação temporária foi retirada e agora retornar para casa após o trabalho é um desafio. Em muitos locais, motoristas só conseguem ver as pessoas à última hora, o que aumenta a insegurança.
Além da via Epig, a falta de iluminação se estende à EPNB e a outras áreas. Pedro Uinter, de 27 anos, menciona que, há seis meses, o trecho próximo à QN 1, no Riacho Fundo I, está às escuras. “Fico atento ao meu redor, olhando para os lados, temendo que alguém possa estar escondido. Mesmo em horários mais movimentados, a insegurança persiste”, declara.
Nova Lei e Esperança de Mudanças
A partir de janeiro, a Lei 7.793/25 assegura o direito à iluminação pública em abrigos, paradas de ônibus, passarelas, passagens subterrâneas e faixas de pedestres no Distrito Federal. O deputado Max Maciel (PSol), autor da legislação, enfatiza que a iniciativa surgiu após denúncias de crimes sexuais ocorridos em locais escuros. O projeto foi aprovado pela CLDF, enfrentou um veto que foi posteriormente derrubado. O Governo do Distrito Federal foi contatado para fornecer informações sobre a regulamentação, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.
Entidades responsáveis pela iluminação pública comentam sobre as dificuldades enfrentadas. A CEB IPes informou que, nas vias Epig e EPNB, há um histórico de vandalismo em quadros de comando e furto de transformadores que comprometem a iluminação. No caso específico da Epig, a instalação de iluminação temporária só poderá ocorrer após a conclusão das obras na via. Em Guará II, a empresa alegou que realizou manutenção recente nos postes e que enviará equipes para vistorias e reparos com a maior brevidade possível, incentivando a população a comunicar problemas através dos canais oficiais.
A mensagem é clara: sem a telegestão instalada nos postes, a colaboração da população para relatar falhas é essencial para agilizar os reparos. A lei, embora ainda em fase de implementação, representa um avanço na segurança pública, porém sua eficácia depende da ação das concessionárias, da Secretaria de Obras e de órgãos reguladores para restaurar a iluminação nas áreas vulneráveis.
Conclusão: A Luta pela Iluminação e Segurança
A persistente falta de iluminação nos pontos de ônibus do Distrito Federal não é apenas uma questão técnica, mas uma questão de segurança pública. A Lei 7.793/25 coloca a iluminação como um aspecto crucial nas políticas de mobilidade urbana. Enquanto as iniciativas das concessionárias e órgãos públicos avançam lentamente, é importante que a população continue a registrar suas preocupações para que as falhas sejam rapidamente resolvidas.
Ao se deslocar pelas vias em busca de transporte, é fundamental estar atento, relatar problemas quando possível e compartilhar vivências. A iluminação adequada não apenas facilita o reconhecimento do caminho, mas também representa uma medida significativa para reduzir os riscos enfrentados por aqueles que dependem do transporte público para chegar ao trabalho, à escola ou em casa.
