Financiamento para Sustentabilidade na Mata Atlântica
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou o primeiro desembolso de R$ 26 milhões destinado à Symbiosis Florestal S.A., responsável pelo desenvolvimento de um modelo inovador de silvicultura com espécies tropicais nativas em áreas degradadas da Mata Atlântica. Essa operação faz parte de um total de R$ 77 milhões provenientes do Fundo Clima, que conta com fiança bancária do banco Santander.
Os recursos são voltados para a expansão de um projeto que foca na silvicultura sustentável de madeira tropical, na restauração produtiva da Mata Atlântica e na geração de créditos de carbono. A iniciativa está inserida no BNDES Floresta Crédito, uma linha de financiamento do banco de fomento direcionada a projetos que promovem a restauração ecológica e a produção sustentável com espécies nativas.
A operação é amparada por uma estrutura de garantias, incluindo três fianças bancárias, sendo que duas delas são fornecidas pelo Santander. Essa colaboração não apenas facilita o financiamento, mas também reforça a função do BNDES na mobilização de capital privado para projetos que visam a restauração florestal e a transição para uma economia de baixo carbono.
Projeto Inovador de Silvicultura
O projeto da Symbiosis é pioneiro, sendo o primeiro totalmente financiado pelo BNDES no setor de silvicultura com espécies nativas, abrangendo uma área de 1.500 hectares na Mata Atlântica dentro de um total de 3.000 hectares. Este modelo visa unir a produção de madeira de alto valor com a captura de carbono, contribuindo assim para a preservação das florestas naturais e enfrentando a exploração ilegal.
Alinhado aos compromissos climáticos do Brasil no Acordo de Paris, o projeto busca restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030. “Esse projeto é fundamental para a silvicultura de espécies nativas no Brasil, demonstrando que é possível conciliar a produção florestal com a preservação da biodiversidade e a geração de créditos de carbono”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Mantendo este enfoque, Leonardo Fleck, head de Sustentabilidade do Santander, destacou que iniciativas como a da Symbiosis provam que a restauração florestal pode gerar valor socioambiental e econômico. “Ao apoiar essa operação, estamos promovendo a produção sustentável, a remoção de carbono e a conservação da biodiversidade, que são fundamentais para a transição para uma economia de baixo carbono”.
Inovação e Sustentabilidade
Alan Batista, Diretor Financeiro da Symbiosis, comentou a respeito da inovação que o projeto traz ao combinar a silvicultura de espécies nativas ameaçadas a um modelo produtivo sustentável e rastreável. “Trabalhamos com espécies de alto valor, como o jacarandá-da-bahia, que historicamente sofreram com a exploração predatória. Nosso objetivo é reverter essa lógica, equilibrando produção e conservação”, destacou. Após mais de 30 anos de restrições ao comércio internacional dessa espécie, a empresa se tornou a única capaz de oferecer madeira plantada, certificada e sustentável em escala.
O BNDES Florestas, que opera como um sistema integrado de instrumentos, combina o BNDES Floresta Crédito, que financia projetos produtivos e de restauração, com iniciativas como o Floresta Viva, voltado para mobilização de recursos não reembolsáveis, e o ProFloresta+, que conecta financiamento à compra de créditos de carbono, entre outras ações.
Nos últimos três anos, o BNDES conseguiu mobilizar R$ 7 bilhões para a manutenção e recuperação das florestas brasileiras, utilizando uma combinação de crédito, recursos não reembolsáveis, garantias e concessões. Este conjunto de projetos em execução por todo o país tem potencializado os resultados em termos de recuperação ambiental.
Os efeitos dessa estratégia são notáveis: o montante mobilizado é equivalente ao plantio de aproximadamente 280 milhões de árvores, à recuperação de 168 mil hectares e à criação de mais de 70 mil postos de trabalho, além de uma captura estimada de 54 milhões de toneladas de CO₂ equivalente.
