Movimentações Financeiras Atraem Atenção do Coaf
O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que se apresenta como pré-candidato ao governo da Bahia, recebeu um total de R$ 1,7 milhão do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Além disso, quase R$ 1,8 milhão vieram da gestora de recursos Reag. Essas informações foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (11) e geraram repercussão nas redes sociais.
Os repasses foram destacados em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que é vinculado ao Banco Central. Segundo o documento, os valores foram transferidos por meio de uma das empresas de ACM Neto, em um período que abrange desde dezembro de 2022 até maio de 2024, com ênfase nos meses posteriores às eleições de 2022.
Aos cuidados da empresa A&M Consultoria Ltda., que ACM Neto fundou com sua esposa em 28 de dezembro de 2022, os pagamentos foram caracterizados como prestação de serviços. A A&M Consultoria, com um capital social de R$ 2 mil, está registrada com a atividade principal de consultoria em gestão empresarial, além de atuar de forma secundária em suporte à educação, conforme informações da Receita Federal.
Relatório do Coaf Aponta Irregularidades
No relatório do Coaf, a entidade observou movimentações financeiras que podem ser consideradas anômalas. “Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, destaca o documento, levantando questionamentos sobre a origem e a legitimidade desses valores.
Em resposta a essas revelações, ACM Neto foi procurado pelo O Globo e afirmou que os montantes recebidos são legítimos, referindo-se à prestação de serviços de consultoria. Ele enfatizou que constituiu sua empresa após deixar o cargo público e passou a atuar com diferentes clientes, entre os quais se incluem o Banco Master e a Reag.
Em nota, o ex-prefeito reafirmou que todos os contratos são formais, com o devido recolhimento de impostos, e que os serviços prestados estão relacionados à análise da agenda político-econômica do país. ACM Neto disse ainda que não houve, durante a vigência dos contratos, qualquer hipótese que desabonasse as empresas contratantes.
Contexto do Caso Master
O Banco Master, que enfrentou a decretação de liquidação pelo Banco Central em novembro de 2025, faz parte de um escândalo maior que envolve a gestora de investimentos Reag. Este caso foi marcado por alegações de fraudes bilionárias, tentativas de encobrir prejuízos e tensões entre as entidades reguladoras, como o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal de Contas da União (TCU), além do próprio Banco Central e a Polícia Federal.
O Banco Central, em um comunicado oficial na época, afirmou que a decretação do regime especial foi motivada pela grave crise de liquidez enfrentada pelo conglomerado Master, o que comprometeu significativamente sua situação econômico-financeira. A nota também apontou sérias violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
As liquidações incluem não apenas o Banco Master S/A, mas também o Banco Master de Investimento S/A, o Banco Letsbank S/A e a Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O desdobramento desses eventos ressalta a necessidade de uma vigilância mais rigorosa sobre as práticas financeiras e as movimentações de figuras públicas no Brasil.
