Irregularidades na CPMI do INSS
Na última quinta-feira (26), o senador Jaques Wagner (PT-BA) se manifestou enfaticamente sobre a tentativa de vincular a Bahia ao escândalo do Banco Master. Em entrevista ao programa Bastidores CNN, Wagner negou qualquer envolvimento e classificou de ‘leviana’ a associação de seu nome e do governo estadual ao caso. O parlamentar também fez críticas à condução da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ressaltando a irregularidade na votação de requerimentos que envolviam quebras de sigilo e convocação de testemunhas.
“Estão tentando construir uma narrativa. A CPI é o palco político e a Polícia Federal deveria ser o palco isento que investiga efetivamente. Não há nenhum relatório da PF que envolva a Bahia nesse episódio do Banco Master. A tentativa de colocar essa responsabilidade sobre mim ou sobre o ex-governador é absolutamente leviana”, afirmou Wagner, questionando a legitimidade da contagem dos votos na CPMI.
Controvérsia na Votação da CPMI
No decorrer da entrevista, o senador destacou uma possível fraude na reunião da CPMI do INSS. De acordo com Wagner, 14 parlamentares expressaram voto contrário à aprovação em bloco dos requerimentos discutidos, mas o resultado oficial indicou apenas 7 votos contrários. “Não se pode ignorar que o número de votos contrários era 14 e não 7. A maioria decide, mas apenas os requerimentos de interesse da presidência estão sendo colocados em votação. Muitas pessoas, que deveriam ser convocadas devido ao seu claro envolvimento, estão sendo poupadas. Diante dessa exclusão, nossa posição é clara: se não convocarem todos, seremos contra”, enfatizou.
Durante a sessão, a CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de pessoas próximas ao Banco Master e à CredCesta. As deliberações também incluíram solicitações ao COAF, convocações e um pedido de prisão preventiva relacionado a fraudes em benefícios do INSS.
Confusão e Tensão na Sessão
A sessão terminou em tumulto devido a divergências sobre a votação em bloco dos 87 requerimentos na pauta. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou a aprovação integral de forma simbólica, o que gerou questionamentos por parte dos parlamentares do governo sobre a contagem dos votos, causando interrupções na sessão. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) levantou uma questão de ordem solicitando a anulação do resultado por erro na contagem. Por outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) defendeu a manutenção da decisão. Essa discussão também envolveu deputados como Rogério Correia (PT-MG) e Evair Vieira de Melo (PP-ES), culminando em necessidade de intervenção da Polícia Legislativa.
Entre os requerimentos aprovados estava o pedido para que o COAF elabore um Relatório de Inteligência Financeira sobre Fábio Luís Lula da Silva, abrangendo a quebra de sigilos entre 2022 e janeiro de 2026. Além disso, foram autorizadas quebras de sigilo do Banco Master entre 2015 e 2025 e da CredCesta entre abril de 2017 e dezembro de 2025.
A CPMI também convocou o ex-deputado André Moura, o empresário Gustavo Marques Gaspar e Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Banco Master. De forma adicional, foi feita uma solicitação pela prisão preventiva de Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, atual presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura.
