Reconhecimento Internacional do Acervo Baiano
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) fez um importante reconhecimento ao acervo que preserva a história da escravidão no Brasil, mantido pelo Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB). Na última sexta-feira, 20, os documentos passaram a integrar oficialmente o Registro Regional da América Latina e Caribe do Programa Memória do Mundo da Unesco.
Este acervo é composto por uma coleção de passaportes de escravizados, libertos, livres e africanos que datam de 1821 a 1889. Em um projeto inovador denominado “Fragmentos da Memória”, realizado em 2025, a inteligência artificial foi utilizada para dar rosto e voz aos indivíduos mencionados nos passaportes. O resultado foi a criação de 40 imagens de pessoas que viveram durante o Brasil Colônia, levando em conta detalhes como os tipos de tecidos usados pelos escravizados e as marcas de nação africana que eram evidentes em seus rostos e braços.
A imagem de um passaporte de um escravizado, que ilustra essa rica história, foi capturada por Malu Vieira para o g1 Bahia. Este reconhecimento pela Unesco é o primeiro título internacional conquistado pelo Arquivo Público do Estado da Bahia, marcando um passo significativo na valorização da memória histórica.
Candidatura ao Registro Internacional
Além dessa conquista, o acervo baiano foi selecionado para representar o Brasil na candidatura ao Registro Internacional do programa da Unesco. O Brasil, por sua vez, será representado não apenas pela Bahia, mas também pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo, que participa com a candidatura do acervo de Luiz Gama, um renomado defensor dos direitos dos negros no século XIX.
O Programa Memória do Mundo tem como premissa fundamental a promoção da cooperação entre instituições, com o objetivo de preservar e facilitar o acesso a acervos que possuem relevância internacional, nacional e regional. Este esforço não apenas valoriza a história e a cultura brasileira, mas também busca garantir que as narrativas do passado sejam acessíveis às futuras gerações.
A área do Arquivo Público da Bahia, localizada na Baixa de Quintas, é um espaço essencial para a pesquisa e preservação da memória coletiva do Brasil. Esse novo reconhecimento da Unesco reforça a importância da diversidade cultural e histórica do país, destacando que a memória da escravidão deve ser respeitada e preservada.
