Desafios do Turismo na Bahia
A alta estação turística em Salvador e na Bahia traz um aumento aparente no número de visitantes, mas isso esconde uma competição pouco saudável entre a Prefeitura e o Governo do Estado. Essa disputa, que visa mostrar crescimento, ignora que uma boa parte dos turistas que chegam à capital baiana é, na verdade, oriunda do interior do próprio estado. Esses visitantes costumam se hospedar em casas de parentes, gerando um baixo ticket médio e consumindo, em geral, apenas sol e praia, sem explorar a riqueza cultural local.
A infraestrutura turística da Bahia também levanta questionamentos. O aeroporto de Salvador, que é o principal do estado, atingiu a marca de oito milhões de passageiros em 2025, mas isso representa apenas o retorno a um patamar anterior à pandemia. O estado, que possui dimensões comparáveis a de países como a França, ainda carece de um sistema de transporte aéreo eficiente para locais turísticos como Ilhéus e Porto Seguro, o que limita o potencial de crescimento do setor.
O Potencial Turístico Irrealizado
Embora o número de visitantes estrangeiros em Salvador tenha mostrado um crescimento, este ainda é insignificante, com cerca de 200 mil turistas por ano. Comparando com os principais destinos turísticos na Europa, que recebem milhões de visitantes anualmente, fica evidente a necessidade de uma política promocional mais agressiva e estruturada. A Bahia precisa buscar um milhão de visitantes estrangeiros por ano para não ficar atrás em relação a outros locais que também disputam a atenção dos viajantes internacionais.
O recente aumento no turismo no Brasil foi impulsionado, em parte, pela recuperação do fluxo de visitantes argentinos, que representam uma porcentagem significativa dos turistas que vieram à Bahia em 2025. No entanto, a dependência do sol e da praia, bem como a falta de infraestrutura urbana adequada, podem comprometer a sustentabilidade do turismo no estado.
A Necessidade de Infraestrutura Urbana
A Bahia, apesar de seu imenso potencial, enfrenta desafios significativos em termos de infraestrutura. A ausência de centros de convenções de grande porte, um museu de relevância internacional, e a falta de equipamentos turísticos como um oceanário ou teleférico são evidentes. Mesmo os parques públicos que existem, como o Abaeté e o Dique do Tororó, carecem de melhorias e manutenção. A construção de infraestrutura turística moderna é essencial para atrair e manter visitantes, além de diversificar as experiências oferecidas.
O Teatro Castro Alves, um dos marcos culturais da cidade, encontra-se fechado há um longo período, evidenciando uma falta de investimento em atrações que possam dinamizar o setor. Até mesmo a famosa Arena Fonte Nova, que está sob gestão privada, não conseguiu agregar novas atrações que atraíssem mais turistas.
O Futuro do Turismo na Bahia
Por outro lado, novas iniciativas, como a criação de centros culturais e parques aquáticos, têm o potencial de agregar valor à oferta turística da Bahia. Contudo, ainda é necessário estabelecer um receptivo adequado para os turistas, com centros de informações que ajudem a organizar passeios e excursões, especialmente na Baía de Todos os Santos, que possui um rico patrimônio natural.
Apesar dos desafios, o turismo náutico e experiências culturais únicas podem posicionar Salvador como um destino turístico atraente. Infelizmente, o modelo atual de turismo, que se baseia fortemente em festas populares e sazonalidade, não é sustentável e pode prejudicar a economia urbana a longo prazo. Portanto, um repensar estratégico sobre o turismo em Salvador e na Bahia se faz urgente.
Waldeck Ornélas, especialista em planejamento urbano-regional, ressalta que é possível transformar o potencial turístico da Bahia, mas isso requer visão, planejamento e, acima de tudo, um investimento contínuo em infraestrutura e promoção.
