Encontro de agentes culturais na Bahia
No último sábado, 28 de outubro, representantes culturais de mais de 100 municípios da Bahia se reuniram no Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana. O evento marcou a abertura da III Teia Estadual dos Pontos de Cultura da Bahia, uma iniciativa promovida pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA). Com o foco no tema “Vozes e Territórios pela Implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”, a Teia pretende revitalizar a conexão entre os 27 territórios de identidade, após um intervalo de 11 anos desde a última edição. O encontro segue com uma programação que inclui debates e o Fórum Estadual dos Pontos de Cultura, previsto para este domingo, 1º de março.
A Teia é parte do calendário preparatório para a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que será organizada pelo Ministério da Cultura (MinC) de 24 a 29 de março de 2026 em Aracruz, no Espírito Santo. Na mesa de abertura, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sublinhou a relevância do evento, que fortalece as conexões entre os Pontos de Cultura em todo o Brasil. Segundo ela, a Teia amplia a implementação da Política Nacional Cultura Viva e solidifica os investimentos oriundos da Política Aldir Blanc.
A ministra enfatizou também a importância da Bahia, que se destaca por ter um dos maiores números de novos pontos de cultura reconhecidos no Brasil. “Na Política Aldir Blanc há um percentual destinado exclusivamente à Cultura Viva. A Bahia tem se beneficiado consideravelmente desses recursos. Quando falamos de Pontos de Cultura, tratamos de gente, memória, tradição e dos mestres e mestras. A Bahia claramente possui um papel proeminente nesse cenário”, observou.
O papel dos Pontos de Cultura
O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, falou sobre a função transformadora dos Pontos de Cultura em suas comunidades. Ele explicou que o fortalecimento dessas iniciativas é crucial para a política de territorialização a partir de ações comunitárias, o que tem sido uma marca da gestão do governador Jerônimo Rodrigues. “Iniciativas como os Pontos de Cultura mobilizam a base da sociedade. Em um evento como este, que retorna após 11 anos, conseguimos avaliar progressos e reafirmar o reconhecimento que sustenta essa rede em toda a Bahia”, acrescentou Monteiro.
A superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura, Amanda Cunha, celebrou a expansão da política cultural no estado, com a expectativa de que a Bahia alcance cerca de 1.800 pontos de cultura certificados em seus municípios. “Além dos pontos já reconhecidos, estimamos que cerca de 50 mil pessoas na Bahia tenham sido impactadas pelas ações dos Pontos de Cultura”, destacou.
Programação e vozes diversas
A abertura da III Teia foi marcada por um cortejo com a participação de representantes de diferentes municípios. O evento também contou com um debate sobre gestão colaborativa e a implementação da Lei Cultura Viva Bahia, além da Feira Territórios Criativos da Economia Solidária, Palco Vozes e Territórios e a Biblioteca de Extensão (Bibex) da Fundação Pedro Calmon.
Eliane Rodrigues, pertencente à etnia Truká Tupan e oriunda de Paulo Afonso, expressou sua satisfação ao participar do evento. Ela ressaltou a relevância de ações que promovem e fortalecem as culturas tradicionais. “Ver tantas culturas unidas, reforçando a nossa Bahia, é uma prova de que não estamos sozinhos. Quando retornar à minha comunidade, quero compartilhar com os jovens para que se reconheçam na própria cultura e entendam que a Teia é um espaço de pertencimento e um futuro para o nosso povo”, afirmou.
Fabrício Brito, integrante do Grupo Apombagem, um coletivo de arte popular que atua na periferia de Salvador desde 2009, participou do encontro com a expectativa de ver um fortalecimento das iniciativas culturais locais. “Espero que esse encontro sirva como um grande congraçamento, reunindo coletivos que atuam na base para fortalecer políticas públicas que impactem diretamente as comunidades. Que possamos entender a cultura em suas diversas formas, não apenas como expressão, mas também como um valor e um pensamento que ajudem a reconstruir uma sociedade mais justa”, concluiu.
O primeiro dia da Teia foi finalizado com uma programação cultural vibrante, com shows e apresentações artísticas que celebraram a diversidade cultural dos territórios baianos.
