A Taxa de Desemprego em Queda
Ao final de 2025, o Brasil registrou uma taxa de desemprego de 5,6%, marcando uma redução de um ponto percentual em comparação com 2024. Os dados, disponibilizados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) nesta sexta-feira (20), mostram que esse é o menor nível de desocupação desde o início da série histórica, em 2012. No último trimestre do ano, a taxa foi ainda mais baixa, alcançando 5,1%, uma queda em relação a 5,6% no trimestre anterior e a 6,2% no mesmo período de 2024.
De acordo com a pesquisa, as maiores taxas anuais de desocupação foram observadas no Piauí (9,3%), seguido pela Bahia e Pernambuco (ambos com 8,7%) e Amazonas (8,4%). Por outro lado, os estados com as menores taxas foram Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%).
Perspectivas do Mercado de Trabalho
Rafael Prado, consultor de macroeconomia da GO Associados, comenta que o nível atual de desemprego sugere um mercado de trabalho aquecido. “A taxa de 5,1% indica que estamos próximos do pleno emprego. Isso já está refletindo dificuldades de contratação em setores que exigem mão de obra qualificada, como a indústria”, explica. Ele observa também que esse cenário pode pressionar a inflação de serviços, que encerrou 2025 em 6%.
Quando analisamos os dados sob a perspectiva de gênero e raça, a taxa de desemprego foi maior entre as mulheres (6,2%), enquanto os homens registraram 4,2%. Entre as diferentes etnias, os negros tiveram uma taxa de 6,1% e os pardos 5,9%, ambas superiores à média nacional. Já os brancos apresentaram uma taxa de 4%. O nível de escolaridade também influenciou as taxas de desemprego: pessoas com ensino médio incompleto enfrentaram a maior desocupação, com 8,7%, enquanto aqueles com ensino superior completo registraram a menor taxa, de 2,7%.
Subutilização e Informalidade no Mercado
A taxa de subutilização da força de trabalho no Brasil ficou em 13,4%. O Piauí apresentou a maior taxa, com 27,8%, enquanto Santa Catarina registrou a mais baixa, com apenas 4,4%. Os desalentados, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego, representaram 2,4% da força de trabalho, com proporções elevadas no Maranhão (9,1%) e Alagoas (8%).
Entre os empregados do setor privado, 74,4% possuíam carteira assinada, sendo Santa Catarina a líder nesse aspecto, com 86,3%. As taxas de informalidade atingiram 37,6% no país, com o Maranhão apresentando a maior taxa, de 57,3%, e Santa Catarina a menor, com 25,7%. Além disso, a pesquisa revelou que 1,1 milhão de pessoas estavam em busca de trabalho há mais de dois anos, o que representa uma queda de 19,6% em relação ao ano anterior.
Aumento do Rendimento Médio e Seus Efeitos
O rendimento médio real habitual foi de R$ 3.613, superando os R$ 3.527 do trimestre anterior e os R$ 3.440 do mesmo período de 2024. A região Sudeste apresentou os rendimentos mais altos, com R$ 4.033. A massa de rendimento real alcançou aproximadamente R$ 367,5 bilhões, um crescimento em relação ao trimestre anterior e ao mesmo período do ano passado.
Rafael Prado destaca que, apesar dos avanços, a alta informalidade e a subutilização da força de trabalho revelam uma heterogeneidade no mercado. “Uma informalidade de 38,1% sugere que uma parte significativa das novas vagas está em empregos precários”, comenta. Ele também projeta um cenário desafiador para os próximos anos, devido à alta taxa de juros e as possíveis mudanças nas regras fiscais, que podem impactar a criação de empregos.
Desigualdades Regionais Persistentes
O economista César Bergo, professor de Mercado Financeiro da UnB, salienta que o novo dado do IBGE é um indicativo positivo, revelando um mercado de trabalho aquecido. No entanto, ele observa que as discrepâncias regionais precisam ser abordadas, pois o Norte e o Nordeste ainda apresentam taxas de desemprego elevadas, enquanto o Sul e o Centro-Oeste mostram resultados mais favoráveis. Ele também menciona que o ano eleitoral pode influenciar os índices de emprego, destacando a importância de investimentos públicos e privados para garantir a sustentabilidade desse cenário.
Por fim, Bergo aponta que a trajetória das taxas de juros será crucial para a evolução do mercado de trabalho nos próximos anos. “Um declínio nas taxas de juros pode favorecer a criação de novas vagas e impulsionar a economia de forma mais robusta”, conclui.
