Opções para o Ministério da Justiça
Com a recente saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ocorrida nesta sexta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia conversas sobre possíveis substitutos para a pasta. Segundo informações de aliados, a escolha deverá recair sobre um candidato que possua um perfil forte para defender as pautas de segurança em análise no Congresso, mas que também tenha habilidades diplomáticas, evitando conflitos políticos em um ano decisivo como este.
Um dos nomes cogitados para a função é o de Wellington César Lima e Silva. O advogado, que já possui uma boa relação com Lula e também com a ala baiana do governo, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, é visto como uma opção viável. Wellington já ocupou o ministério em 2016 durante o governo de Dilma Rousseff. Na gestão atual de Lula, ele atuou como secretário de assuntos jurídicos da Casa Civil, uma função estratégica que frequentemente se comunica diretamente com o presidente.
Ele deixou a Casa Civil em julho do ano passado ao ser indicado para o cargo de advogado-geral da Petrobras, mas sua breve passagem como ministro da Justiça em 2016 foi marcada por complicações. Na época, sua nomeação foi barrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), pois era procurador de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o que o impediu de assumir o cargo sem antes solicitar exoneração do MP.
Após apenas onze dias à frente do ministério, Wellington pediu demissão e foi sucedido pelo vice-procurador geral eleitoral da época, Eugênio Aragão.
Outro Nome em Consideração
Além de Wellington, outro nome que surge como candidato à vaga é o atual ministro da Educação, Camilo Santana. Fontes próximas ao governo indicam que Camilo é lembrado por sua atuação durante uma greve da Polícia Militar do Ceará, quando governava o estado, que ocorreu entre 18 de fevereiro e 2 de março de 2020. Esse episódio gerou uma das mais severas crises de segurança no estado, com um aumento de 138% no número de homicídios em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados oficiais.
Durante a greve, Camilo conseguiu apoio de polícias de outros estados nordestinos, como Piauí e Bahia, e conseguiu a normalização da situação sem conceder anistia aos grevistas. Além de sua experiência em gestão de crises, o ministro Santana é visto como um dos principais quadros do PT e um nome de confiança para Lula, o que torna sua possível transferência para a pasta da Justiça uma jogada estratégica. Vale lembrar que Camilo está atualmente em meio ao seu mandato como senador, o que diminui a probabilidade de ele se candidatar a outro cargo nas eleições que se aproximam em outubro.
Na última quinta-feira (8), Camilo se reuniu com o presidente, porém os detalhes da conversa não foram divulgados, alimentando ainda mais as especulações sobre sua possível nova função no governo. A escolha do novo ministro da Justiça e Segurança Pública será acompanhada de perto, dada a importância da pasta em um contexto político tão delicado.
