Capacitação para um Carnaval Inclusivo
Com a chegada do Carnaval de Salvador, a Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde (SUVISA), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), intensifica a formação dos profissionais que atuarão durante a festividade, reconhecida como a maior festa de rua do país. Essa capacitação é realizada por meio do Treinamento de Combate ao Racismo no Carnaval, em colaboração com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi).
O objetivo é claro: assegurar que os trabalhadores da Vigilância em Saúde estejam aptos a atender a população com dignidade, sem discriminação e com a devida sensibilidade às diferenças raciais, religiosas, de gênero e orientação sexual. Em um estado onde mais de 76% da população se identifica como preta ou parda, discutir sobre racismo é, acima de tudo, uma questão de saúde pública.
“Combater o racismo é também uma questão de saúde pública. O racismo causa doenças, traz sofrimento e até leva à morte”, ressaltou Maria Cecília Braga, psicóloga e responsável técnica pelo SIAST/SUVISA, durante a abertura do evento.
Desigualdades e a Realidade no Carnaval
Salvador, que abriga a maior população negra fora da África, enfrenta desigualdades históricas que se tornam ainda mais evidentes durante o período carnavalesco, especialmente para trabalhadores como cordeiros, ambulantes, catadores de recicláveis, músicos e motoristas de aplicativos. Essas desigualdades são um reflexo de um contexto social que demanda atenção e ações efetivas.
A formação foi conduzida por Ubiraci Matilde de Jesus, da Sepromi, que destacou que o racismo no Carnaval não se limita a xingamentos ou agressões diretas. “Ele se manifesta nas condições de trabalho inadequadas, na invisibilidade dessas pessoas e na falta de proteção social. Todos esses fatores impactam diretamente a saúde física e mental”, observou.
Durante o evento, foram apresentados dados importantes sobre os efeitos do racismo na saúde mental da juventude negra. Informações da Fiocruz revelam que, a partir de 2016, o risco de suicídio aumentou 45% entre adolescentes e jovens negros em comparação aos brancos. Além disso, entre meninas e mulheres jovens negras, o risco é 20% maior. Adolescentes negros com idades entre 10 e 19 anos enfrentam um aumento de 67% no risco de suicídio.
Compromisso com a Igualdade Racial
Desde 2007, o Governo da Bahia tem implementado políticas voltadas para a promoção da igualdade racial e a defesa dos direitos humanos. A partir de 2023, essas iniciativas foram ampliadas, especialmente no contexto do Carnaval, com foco em trabalho decente, combate ao racismo e intolerância religiosa. Para o Carnaval de 2026, a expectativa é reforçar ainda mais essas ações.
Ao investir na formação de seus profissionais, a SUVISA reafirma seu compromisso com uma Vigilância em Saúde que reconhece o racismo como um fator que adoece e mata, promovendo um atendimento mais humano, justo e acolhedor, tanto durante o Carnaval quanto ao longo de todo o ano.
