Seminário Bahia que Cuida: Uma Iniciativa Transformadora
A Secretaria de Políticas para as Mulheres do Estado (SPM) promoveu, na última segunda-feira (30), o Seminário Bahia que Cuida, realizado no auditório do Detran em Salvador. Este evento faz parte da programação do Março Mulher 2026 e busca fortalecer o diálogo sobre a Política de Cuidados na Bahia.
O seminário estabeleceu-se como um vital espaço de escuta e construção coletiva, comprometendo-se com a valorização do cuidado e a redução das desigualdades sociais, além de promover a autonomia das mulheres. A presença de representantes de universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil foi considerada estratégica para assegurar que o Plano Estadual de Cuidados reflita as realidades e necessidades dos diversos territórios da Bahia.
A mesa de abertura contou com a participação da secretária das Mulheres do Estado, Neusa Cadore, da secretária de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), Fabya Reis, e da chefe de gabinete da SPM, Neia Bastos. Durante suas falas, Neusa Cadore enfatizou a importância da criação do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI), que foi instituído por decreto estadual. Este grupo terá a tarefa de elaborar propostas para a Política Estadual de Cuidados e o Plano Estadual.
“Esta conquista é extremamente significativa para a Secretaria das Mulheres. Refletir sobre como garantir os direitos das mulheres demanda uma construção coletiva. Essa ação não pode ser isolada, sendo essencial a transversalidade e o trabalho em conjunto, que unirá ações já em andamento nas diversas áreas do governo relacionadas à política de cuidados. Hoje, contamos com um grupo institucional formado que atuará em diálogo com as organizações sociais, universidades e mulheres. O objetivo é construir essa política coletivamente, envolvendo tanto o Estado quanto a sociedade”, afirmou Neusa Cadore.
Avanços Significativos e Desafios a Serem Enfrentados
O governador Jerônimo Rodrigues, em parceria com Neusa Cadore, já havia assinado um termo de adesão à Política Nacional de Cuidados, juntamente com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e o Ministério das Mulheres. O plano estadual será fundamental para implementar essa política no território baiano, em articulação com os municípios.
Um dos principais tópicos debatidos durante o seminário foi a identificação dos desafios enfrentados na área de cuidados na Bahia, além da definição de prioridades para o Plano Estadual. O painel “Política de Cuidados: contexto nacional e agenda na Bahia” contou com a participação da professora Clarisse Paradis (UNILAB), da presidenta do Sindoméstico-BA, Milca Martins, e da superintendente de Promoção e Inclusão Socioprodutiva da SPM, Luciana Mota.
Durante as discussões, foram abordados os desafios estruturais na área de cuidados, os avanços alcançados no Brasil e a relevância da produção de conhecimento que auxilia no diagnóstico da realidade do cuidado no estado. Luciana Mota destacou: “A Política Nacional de Cuidados é um marco importante, pois reconhece o cuidado como essencial para a sustentabilidade da vida e a diminuição das desigualdades, especialmente de gênero. Essa política busca estruturar ações e serviços que garantam apoio às pessoas que precisam de cuidados, como crianças, idosos, pessoas com deficiência e aqueles em situação de dependência. Além disso, é fundamental valorizar e apoiar quem realiza esse trabalho, sejam familiares ou profissionais. Trata-se de uma agenda capaz de transformar a organização da sociedade, exigindo a participação ativa de todos”.
Perspectivas Futuras e Resultados Esperados
Entre os principais pontos levantados no debate, destacaram-se a necessidade de expandir a oferta de serviços, fortalecer redes de proteção social e promover a corresponsabilidade entre o Estado, famílias e a sociedade. A psicóloga Altamira Simões, integrante da Rede de Mulheres Negras da Bahia, ressaltou a importância de considerar as especificidades de cada território e incluir a saúde mental no plano de cuidados: “É imprescindível que o plano de cuidado seja construído a partir das práticas locais. Devemos ouvir as comunidades, desde as rurais até as ribeirinhas, e não naturalizar o adoecimento, integrando o cuidado com a saúde mental, especialmente junto às populações mais vulneráveis”, enfatizou.
Conforme informações da SPM, o seminário tem como resultado esperado a ampliação do conhecimento sobre a Política de Cuidados, o fortalecimento do diálogo entre os diversos atores do setor e a promoção de uma troca de experiências sobre os desafios enfrentados em relação aos cuidados na Bahia. O evento também pretende fornecer contribuições valiosas para o diagnóstico e elaboração do Plano Estadual de Cuidados, reforçando a participação social e a articulação entre o governo, universidades e a sociedade civil na construção e implementação desta política pública essencial.
