Estado de Saúde de Jair Bolsonaro é Considerado Extremamente Grave
Na noite da última sexta-feira (13), o médico Claudio Birolini informou que, embora o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente estabilidade em seu estado de saúde, a gravidade do quadro não pode ser subestimada. Internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) devido a uma broncopneumonia bacteriana que afeta ambos os pulmões, a situação é descrita como “extremamente grave”.
Conforme relatado pelo cardiologista, a condição de Bolsonaro é particularmente preocupante devido ao risco de pneumonia aspirativa, uma complicação decorrente de refluxos gástricos, que o ex-presidente vem enfrentando desde o atentado a faca durante a campanha eleitoral em 2018. Essa informação foi repassada ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, em laudos médicos recentes.
“Uma pneumonia aspirativa pode levar a uma insuficiência respiratória, e se não for tratada rapidamente, pode resultar em morte. Tratamos um caso de extrema gravidade. Neste momento, a situação de Jair Bolsonaro é estável, mas o risco de um evento fatal é real”, afirmou Birolini.
Segundo médicos, o ex-presidente deve permanecer na UTI por, no mínimo, sete dias, e novos relatórios sobre sua saúde devem ser publicados regularmente. O também cardiologista Leandro Echenique comentou que a saúde de Jair Bolsonaro apresenta uma deterioração progressiva desde o incidente da facada, piorando após sua prisão na Superintendência da Polícia Federal e a subsequente transferência para a unidade prisional conhecida como Papudinha.
“A frequência das internações dele é alarmante. Ele costumava ser internado uma vez por ano, mas desde abril do ano passado, esta é a sexta vez que está hospitalizado. O número de intercorrências aumenta a cada momento”, explicou Echenique.
O médico Brasil Caiado destacou que certos ambientes são prejudiciais à saúde de Bolsonaro, aumentando o risco de novos problemas. Essa perspectiva é utilizada pela defesa do ex-presidente, que solicitou a concessão de prisão domiciliar, pedido este que foi negado por Moraes.
A decisão sobre a transferência de Bolsonaro da UTI dependerá da resposta ao tratamento, que inclui a administração intravenosa de dois antibióticos. Apesar de estar consciente, capaz de se comunicar e participar de sessões de fisioterapia, o ex-presidente não necessitou de intubação até o momento.
Echenique revelou que a pneumonia atual é mais severa do que as duas que Bolsonaro teve no segundo semestre de 2022. “Ele permanecerá na UTI até que seus pulmões se recuperem completamente, sem previsão de alta”, acrescentou.
Um aspecto preocupante é o quadro persiste de soluços, que foi tratado de diversas maneiras, mas continua a aparecer. Esses episódios contribuem para o vômito reflexo, criando riscos adicionais de pneumonia aspirativa.
O boletim médico de sexta-feira indica que Bolsonaro apresentou febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios. A Polícia Militar do DF informou que o ex-presidente sofreu um mal-estar repentino em sua cela e exigiu transferência imediata ao hospital.
Após chegar ao hospital, Bolsonaro recebeu suporte de oxigênio nasal e foi submetido a tomografias e exames laboratoriais. O ministro Moraes autorizou a permanência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como acompanhante durante a internação, além de permitir visitas de seus filhos: Flávio, Carlos, Jair Renan e Laura. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se encontra nos Estados Unidos.
Não é a primeira vez que Jair Bolsonaro enfrenta complicações severas de saúde. Em 1º de janeiro, ele teve alta após uma cirurgia de hérnia. Naquele momento, Moraes já havia negado um pedido de prisão domiciliar. O ex-presidente foi condenado por envolver-se em uma tentativa de golpe após as eleições de 2022 e foi preso em 22 de novembro por violar os termos de sua tornozeleira eletrônica.
A transferência para a Papudinha ocorreu em janeiro. Em março, a defesa de Bolsonaro solicitou novamente a prisão domiciliar, o que foi negado mais uma vez por Moraes, decisão que foi posteriormente ratificada pela Primeira Turma do STF. A defesa argumenta que a permanência de Bolsonaro na prisão representa um risco à sua saúde, devido às condições estruturais inadequadas e à dependência de situações emergenciais difíceis de serem mantidas ao longo do tempo.
Moraes, por sua vez, ressaltou que a estrutura prisional atende adequadamente às necessidades médicas do ex-presidente, respeitando sua saúde e dignidade. O ministro também se referiu ao incidente em que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica, como um dos fatores que justificaram sua atual detenção.
