Bahia em Evidência no Mapa das Terras Raras
Nos últimos anos, as terras raras ganharam destaque, e a razão é clara: sem esses minerais, grande parte das inovações tecnológicas que utilizamos hoje não seria possível. Desde smartphones até turbinas de energia eólica, esses elementos são vitais para o funcionamento de diversas indústrias, incluindo a automotiva e de defesa.
Apesar de o Brasil ainda não ter explorado todo o seu potencial em comparação a grandes potências como China e Austrália, o país abriga algumas das maiores reservas conhecidas do mundo. Nesse panorama mineral competitivo, a Bahia surge como um dos estados mais promissores, com reservas que podem transformar a economia local.
O que são as terras raras e por que são tão valiosas?
As chamadas Elementos Terras Raras (ETRs) compreendem um grupo de 17 elementos químicos que apresentam características semelhantes. Este conjunto inclui 15 lantanídeos, além do escândio (Sc) e do ítrio (Y). Os elementos mais procurados pela indústria incluem neodímio, térbio, disprósio e praseodímio, comumente utilizados na fabricação de ímãs de alta performance — componentes cruciais para motores elétricos e equipamentos de alta precisão.
Embora o nome sugira escassez, esses minerais não são tão raros na natureza. O que os torna estratégicos é a dificuldade de extração e processamento, além do papel crucial que desempenham no avanço tecnológico e na transição energética global.
Brasil: uma das maiores reservas de terras raras mundialmente
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, representando aproximadamente 23% das reservas globais. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, logo atrás da China, que possui cerca de 44 milhões de toneladas.
Apesar desse imenso potencial, a exploração mineral no Brasil ainda é modesta quando comparada ao que ocorre em países como China e Vietnã, o que potencializa a importância estratégica das reservas brasileiras no mercado internacional.
Locais de exploração de terras raras no Brasil
Conforme levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Agência Nacional de Mineração (ANM), as principais áreas com esses recursos estão situadas em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Dentro desse contexto, a Bahia se destaca, apresentando altas concentrações de óxidos de terras raras e projetos com grande potencial econômico.
Bahia: um polo emergente em terras raras
No estado baiano, o Complexo de Jequié se configura como uma das regiões mais relevantes para a exploração mineral. Além de depósitos de bauxita, o local conta com ocorrências significativas de terras raras, associadas a minerais como nióbio e urânio. No Projeto Pelé, foram registrados teores de aproximadamente 11,2% de TREO, enquanto o Projeto Velhinhas, gerido pela Brazilian Rare Earth, apontou concentrações que chegam a 40,5% de TREO em certas rochas.
Além disso, existem áreas com depósitos de monazita, com teores que podem alcançar 7,9%, reforçando ainda mais o potencial econômico da região.
Exportação: Bahia no radar internacional
No Vale do Jiquiriçá, localidades como Ubaíra e Jiquiriçá estão se posicionando em uma competição estratégica por elementos como o disprósio e o térbio, que são cada vez mais escassos fora da Ásia, sendo fundamentais para tecnologias relacionadas à energia limpa e sistemas de defesa. Essa movimentação conta com a participação da Borborema Recursos Estratégicos, uma subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths, que anunciou um investimento de R$ 3,5 bilhões, com previsão de início da produção em 2028. O governo da Bahia observa atentamente essa iniciativa, que almeja promover uma diversificação econômica e um desenvolvimento sustentável na região.
Terras raras: o “ouro invisível” da era moderna
Considerados o “ouro invisível” da atual economia, os 17 elementos químicos das terras raras são essenciais para diversas indústrias. Aproximadamente 70% da produção mundial e 90% do refino está concentrado na China, tornando países com grandes reservas inexploradas, como o Brasil, peças-chave em um tabuleiro geopolítico que se torna cada vez mais desafiador.
Com recursos abundantes, especialmente na Bahia, o Brasil ganha uma posição estratégica na corrida global por minerais que são fundamentais para a tecnologia, a energia limpa e a inovação industrial.
Elementos que compõem as terras raras
As terras raras se dividem em dois grupos: leves e pesadas.
- Terras raras leves: Lantânio (La), Cério (Ce), Praseodímio (Pr), Neodímio (Nd), Promécio (Pm), Samário (Sm), Európio (Eu), Escândio (Sc) e Ítrio (Y).
- Terras raras pesadas: Gadolínio (Gd), Térbio (Tb), Disprósio (Dy), Hólmio (Ho), Érbio (Er), Túlio (Tm), Itérbio (Yb) e Lutécio (Lu).
