O Crescimento do Rap na Bahia
A Bahia se firmou como um importante celeiro de talentos na música brasileira, especialmente no rap. Nos últimos anos, diversos artistas baianos, como Alee de Camaçari, têm conquistado destaque no cenário nacional. Com apenas 24 anos, Alee ganhou notoriedade com seu álbum intitulado “Caos”, que inclui o sucesso “Tudo de Novo”, uma parceria com Filipe Ret, e se tornou um dos singles mais tocados nas plataformas de streaming.
Em uma entrevista ao Metrópoles, Alee ressaltou a rica cultura baiana e sua influência na música nacional. “A Bahia sempre foi um grande polo cultural. Tanto no rap quanto na música em geral, o Nordeste tem produzido talentos excepcionais. O sotaque e o estilo de vida aqui refletem nossa contribuição musical”, destacou o rapper.
Falta de Investimento e Reconhecimento
Entretanto, mesmo com o talento em evidência, Alee acredita que ainda há uma carência de investimento no estado. Essa visão é compartilhada por ZAM, outro artista promissor do rap baiano, que atualmente reside em São Paulo para buscar maior visibilidade. ZAM enfatiza que a Bahia, apesar de seu rico potencial artístico, ainda carece de uma infraestrutura comercial adequada para impulsionar seus músicos.
“Falta reconhecimento. Temos muitos artistas talentosos e originais, mas não há uma estrutura que suporte a construção de uma cena própria aqui”, lamentou ZAM, apontando a necessidade de um desenvolvimento mais robusto no setor musical da Bahia.
A Migração como Estratégia
Um estudo recente, a 2ª edição da Pesquisa Bastidores do Hip Hop, realizada pela Dinastia Sabah, revela que a migração tem sido uma realidade para muitos artistas do rap e do trap. De acordo com a pesquisa, um em cada três músicos considera mudar-se para o eixo Rio-São Paulo como uma estratégia para avançar na carreira.
Klisman, com sete anos de trajetória musical e hits como “Party” e “Pagão”, é um dos que precisou deixar a Bahia em busca de reconhecimento em uma escala maior. “É como fazer parte de um time de futebol sem a estrutura adequada e ser transferido para um time maior em busca de crescimento”, comparou Klisman, explicando sua decisão de migrar.
Perspectivas de Sucesso Nacional
Após anos de trabalhos consistentes, Alee também decidiu seguir o caminho de Klisman e assinar um contrato com a produtora de Filipe Ret, visando expandir sua atuação em outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro. Com isso, ele espera alcançar um público mais amplo e solidificar sua carreira no cenário nacional.
Apesar das dificuldades e da tendência de migração, existem artistas baianos que permanecem em seu estado natal e alcançam o sucesso. Duquesa, uma rapper de Feira de Santana, se destaca como uma das expoentes femininas do gênero, tendo lançado álbuns de sucesso como “SIX.” e “Taurus Vol.2” nos últimos anos. A trajetória de Duquesa pode ser um reflexo da esperança de que, no futuro, mais artistas baianos consigam se estabelecer localmente, contribuindo para o fortalecimento do rap e do trap em sua terra natal.
Assim, o cenário do rap na Bahia continua em transformação, repleto de desafios e oportunidades. A crescente migração de artistas em busca de reconhecimento nacional é um sintoma das barreiras ainda presentes, mas também evidencia um potencial criativo que não pode ser subestimado.
