Início da Fase Prática do PNCC
Na última quinta-feira (22), o Ministério da Cultura (MinC) deu início ao terceiro ciclo de formação dos Agentes Territoriais de Cultura, em um evento transmitido ao vivo pelo canal do YouTube do MinC. Este encontro marca um passo significativo no Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), onde os agentes passarão a aplicar a cartografia social em suas comunidades. A proposta é mapear o território valorizando as histórias e culturas locais, promovendo assim uma maior conexão entre as potências culturais da região e seus habitantes.
A coordenação do evento ficou a cargo de Mirela Araújo, coordenadora-geral do PNCC. Durante a atividade, Desiree Tozi, diretora de Articulação e Governança do MinC, deu as boas-vindas aos participantes e incentivou os agentes a aproveitarem a energia deste novo ciclo para desenvolver ações integradas. “As intervenções devem ser estruturadas de modo a refletir o que foi discutido nas reuniões regionais e nacionais”, destacou Tozi.
Formação Colaborativa com Institutos Federais
O evento contou com a presença de representantes dos Institutos Federais que colaboram na formação dos agentes, como Samira Delgado, do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Abilio Carrascal, do Instituto Federal de Goiás (IFG), e Sandra Corrêa Vieira, do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul). A participação desses educadores reforça a importância do apoio institucional na capacitação dos Agentes Territoriais de Cultura.
Durante a transmissão, o professor Jailson de Souza e Silva, geógrafo e fundador do Observatório de Favelas, participou do debate e enfatizou a necessidade de reavaliar a maneira como os territórios são percebidos. Segundo ele, o foco deve mudar do paradigma da ausência para o reconhecimento das potências locais, desafiando a visão tradicional que associa as periferias apenas à carência de recursos.
Transformando a Percepção sobre Territórios
Quando solicitado a mapear suas regiões, os agentes devem não apenas registrar a falta de infraestrutura, mas também destacar a riqueza cultural, criativa e social que esses locais oferecem. Jailson exemplificou isso, afirmando que “favelas e periferias são lugares de potência, de criação, de sociabilidade, onde as vozes dos intelectuais periféricos precisam ser ouvidas”. Essa nova abordagem visa transformar a narrativa sobre esses espaços, mostrando que as comunidades têm muito a oferecer.
A cartografia social, diferentemente de um mapa convencional, se propõe a registrar a identidade das pessoas, suas relações afetivas e como elas se conectam ao espaço onde vivem. Essa metodologia é uma das ferramentas fundamentais para garantir autonomia aos moradores e possibilitar uma construção horizontal de políticas públicas.
A Autonomia dos Territórios e Suas Identidades
Patrícia Martins, coordenadora dos Comitês de Cultura no MinC, também participou da discussão e destacou a relevância da cartografia social. “A ferramenta permite que nós falemos sobre nós mesmos. Somos nós que sabemos o que queremos para o nosso território”, afirmou Patrícia, ressaltando a importância da autoafirmação nas políticas culturais. Essa prática não apenas empodera as comunidades, mas também ressignifica a relação delas com suas identidades e espaços.
O debate evidenciou que um território não se resume a limites geográficos, mas é construído por pessoas e intercâmbios simbólicos. “Territórios são, acima de tudo, relações que transcendendem as dimensões físicas e materiais”, completou Jailson, reafirmando a importância das conexões interpessoais na formação da identidade cultural.
