Retomada da Produção de Fertilizantes
A Petrobras anunciou a retomada da produção de ureia em suas fábricas localizadas na Bahia e em Sergipe. O reinício das atividades ocorreu neste mês e recebeu um investimento inicial de 38 milhões de reais em cada unidade, conforme informações divulgadas pela estatal. A expectativa é que a empresa consiga atender até 35% da demanda nacional de ureia, um insumo vital para a agricultura brasileira.
No estado de Sergipe, a unidade já havia iniciado a produção de amônia no final de dezembro, e a produção de ureia teve início em 3 de janeiro. Enquanto isso, a fábrica da Bahia, situada em Camaçari, passou por um processo de manutenção que foi finalizado no mês passado. A unidade está atualmente na fase de comissionamento, com previsão de começar a produção de ureia até o final de janeiro.
Capacidades de Produção e Importância do Insumo
As duas plantas têm como objetivo a produção conjunta de amônia, ureia e ARLA 32, um agente redutor líquido automotivo. A fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe, que fica em Laranjeiras, possui uma capacidade de produção de 1.800 toneladas diárias de ureia, representando cerca de 7% do mercado nacional. Já a unidade na Bahia, localizada em Camaçari, pode produzir 1.300 toneladas diárias, o que equivale a 5% do mercado brasileiro.
A retomada da produção é vista como uma medida crucial para reduzir as importações de ureia, já que atualmente o Brasil depende totalmente do exterior para suprir essa demanda. O movimento também reflete uma tentativa da Petrobras de reintegrar-se ao setor de fertilizantes, que tem se mostrado estratégico para a segurança alimentar do país.
Reestruturação no Setor de Fertilizantes
Além da reativação das fábricas baianas e sergipanas, a Petrobras também reabriu as operações da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), que havia sido fechada em 2020. Essas unidades foram arrendadas à Unigel durante o governo anterior, mas o contrato foi questionado pelo Tribunal de Contas da União devido a suspeitas de irregularidades. Em junho de 2024, a estatal decidiu encerrar o acordo, alegando que a Unigel não cumpriu com as exigências necessárias para a continuidade do contrato.
As fábricas de fertilizantes, que começaram suas atividades em 2013, enfrentaram dificuldades financeiras que levaram à sua paralisação em 2018. Durante o governo de Jair Bolsonaro, as plantas foram arrendadas, embora continuassem a registrar prejuízos, resultando em novas paralisações em 2023. Um novo arranjo de contrato de ‘tolling’, que pretendia garantir a operação das plantas por meio de serviços terceirizados, foi interrompido após identificação de possíveis prejuízos de 478 milhões de reais ao erário público.
Desafios e Perspectivas Futuras
A Petrobras, por meio de sua reestruturação, busca não apenas recuperar sua operação em um setor estratégico, mas também enfrentar os desafios econômicos impostos pela dependência de importações. A esperança é que, com a produção local de ureia, o Brasil possa fortalecer sua agricultura e melhorar a balança comercial do setor. Contudo, os desafios são muitos, e a eficiência das novas operações será fundamental para garantir a sustentabilidade econômica dessas iniciativas.
Assim, a volta da produção de fertilizantes pela Petrobras é um passo importante em direção à autossuficiência do Brasil em insumos agrícolas, embora o contexto econômico e as complexidades do setor apresentem obstáculos que precisam ser superados.
