Entenda a Nona Fase da Operação Overclean
A Polícia Federal (PF) deu início na terça-feira, 13, à nona fase da operação Overclean, que investiga um esquema criminoso vinculado ao desvio de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. Nesta fase, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, concentrados na Bahia e no Distrito Federal. O deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA) é um dos principais alvos da ação, que conta com a colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
A investigação levanta sérias suspeitas de que o parlamentar esteja diretamente envolvido no esquema. De acordo com os detalhes apurados, Mendonça Jr. utilizava seu então secretário parlamentar, Marcelo Chaves — que já foi alvo da quarta fase da operação — como intermediário em suas ações ilícitas.
A CNN Brasil tentou contatar o gabinete do deputado e o partido a qual ele pertence, o PDT, mas ainda não obteve resposta sobre a operação. O espaço permanece aberto para qualquer esclarecimento.
Histórico da Operação Overclean
A operação Overclean foi lançada há mais de um ano, com a primeira fase ocorrendo em 10 de dezembro de 2023. Na ocasião, as autoridades cumpriram 43 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de prisão preventiva. O empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo” em Salvador, foi detido e apontado como o líder da organização envolvida no desvio de recursos públicos. Dias depois, ele foi liberado pela Justiça.
A investigação inicial focou em irregularidades ligadas ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na Bahia. Conforme os especialistas, o grupo criminoso teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, desviando verbas de contratos de engenharia e emendas parlamentares. O relatório da PF indicou que a organização atuava em pelo menos cinco estados: Amapá, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro e Tocantins.
Na época, Moura negou qualquer envolvimento em atividades ilícitas.
Desdobramentos da Operação
Após a primeira fase, a PF conduziu uma série de investigações. Na segunda fase, realizada em 23 de dezembro, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e quatro ordens de prisão, que incluíram o vice-prefeito de Lauro de Freitas (BA) e um secretário municipal de Vitória da Conquista (BA).
Na terceira fase, em 3 de abril de 2024, os agentes da PF cumpriram 16 mandados em diversas cidades, incluindo Salvador e São Paulo. Um dos alvos era o secretário de educação de Belo Horizonte, que já havia ocupado o mesmo cargo na Bahia.
Com o andamento das investigações, novas fases foram deflagradas, abrangendo ações contra familiares de políticos e outros envolvidos, resultando em diversas prisões e apreensões de bens. Entre os alvos, estavam o ex-vereador de Campo Formoso e até mesmo familiares de deputados.
A sexta fase, em 14 de outubro, resultou na apreensão de valores obtidos de forma criminosa, enquanto a sétima fase, apenas dois dias depois, também se concentrou em mandados de busca e apreensão e na suspensão de agentes públicos.
Fase Atual e Expectativas
Na oitava fase, em 31 de dezembro, novas apreensões foram realizadas, incluindo alvos de grande relevância, como o secretário nacional do Podemos, Luiz França. Sua defesa negou as acusações, afirmando que seu cliente sempre teve uma postura ética.
Agora, com a nona fase, a expectativa é que mais detalhes sobre o esquema de corrupção venham à tona, e que as investigações continuem a desmantelar a estrutura da organização criminosa. Este desdobramento é uma clara demonstração do comprometimento das autoridades em investigar e punir a corrupção em suas variadas formas.
O cenário político continua tenso, e a operação Overclean reforça a importância da transparência e da responsabilidade na gestão de recursos públicos no Brasil.
