Desmentindo as Alegações
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nota oficial negando veementemente que ele tenha visitado a casa do banqueiro Daniel Vorcaro em Trancoso, na Bahia. A informação, veiculada no último domingo pelo blog de Lauro Jardim, do jornal ‘O Globo’, gerou uma série de especulações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro. A nota, no entanto, diz respeito especificamente a viagens particulares e não esclarece se o ministro já teria se encontrado com o banqueiro em outros locais.
Pressionado pela revelação de diálogos entre ele e Vorcaro no dia da primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado, Moraes também é alvo de críticas em decorrência de um contrato de R$ 129 milhões envolvendo o escritório de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master.
A nota do gabinete do ministro enfatiza: ‘É integralmente falsa a afirmação publicada pelo blog de Lauro Jardim de que o ministro tenha frequentado a casa de Vorcaro em Trancoso. O ministro jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino’. Moraes ainda destacou que ‘nunca esteve na propriedade’ e que não há como conectar sua agenda pessoal ou profissional com encontros com Vorcaro, lamentando a difusão de informações sem a devida verificação.
Incertezas em Torno das Mensagens
No entanto, a situação se complica quando analisamos as notas anteriores de Moraes. Elas revelam lacunas em relação aos diálogos com Vorcaro, especialmente no que diz respeito a prints de mensagens que supostamente foram trocadas entre eles no dia da prisão. De acordo com Moraes, os arquivos da Polícia Federal que foram compartilhados com a CPI do INSS seguem uma estrutura na qual os prints de texto estão organizados nas mesmas pastas que contêm as informações dos contatos.
Contudo, a análise do Estadão apontou que, dos sete prints registrados em 17 de novembro de 2025, quatro foram encontrados em pastas sem outros documentos. Um deles continha a mensagem do banqueiro: ‘Fiz uma correria pra tentar salvar’. Apenas três estavam em pastas que incluíam arquivos de contatos de outras pessoas.
Peritos da Polícia Federal, que se pronunciaram sob condição de anonimato, explicaram que a localização dos arquivos em pastas não necessariamente indica vínculo entre eles. O programa utilizado pela PF para organizar os dados possui um método específico de agrupamento, onde os arquivos podem ser organizados conforme a similaridade dos hashes, que atuam como impressões digitais do arquivo.
Questões Não Respondidas
Uma série de dúvidas ainda permanece após a divulgação da nota sobre os diálogos. Moraes afirma não ser o destinatário das mensagens vazadas, mas não nega ter conversado com Vorcaro no dia da sua prisão. Se não recebeu as mensagens solicitando ajuda para salvar o Banco Master, sobre o que exatamente falaram naquele dia?
Além disso, quem foi responsável pela análise técnica dos dados telemáticos de Vorcaro? A nota não menciona o autor da perícia, e também levanta questões sobre como um ministro do STF teve acesso a material que estava sob sigilo.
As respostas do ministro nas mensagens trocadas não são conhecidas, uma vez que se tratam de prints de visualização única. No entanto, encontra-se registrado que Moraes respondeu a uma última mensagem do banqueiro com um emoji de ‘joinha’, o que levanta a pergunta sobre o que exatamente ele concordou.
Por fim, a coincidência dos horários entre os prints de Vorcaro e as mensagens enviadas a Moraes no dia da prisão também gera desconfiança. Se Moraes se comunicou com o banqueiro, por que o fez utilizando mensagens de visualização única que desaparecem após a leitura? E, mais inquietante, como um ministro do STF mantinha contato pelo WhatsApp com um empresário cujo banco estava sob investigação pela Polícia Federal?
